quinta-feira, agosto 10, 2017

Balão de BD, a voz da banda desenhada


O balão de BD é sem dúvida uma convenção gráfica extremamente útil e sugestiva, nas suas variadas formas, que qualquer leitor habitual de banda desenhada sabe interpretar. 
Os balões de fala normal são os que surgem em todos os episódios, e os balões de pensamento são também bastante comuns, por isso não há nenhum leitor/visionador de BD, habituado a ler/ver as narrativas desenhadas, que não os saiba decifrar.

Mas há balões de fala menos usuais, como acontece com o "balão sussurro" ou "balão de voz baixa". É um desses, inserido num círculo tracejado, que aparece na vinheta de BD a ilustrar o topo deste poste, pertencente à prancha abaixo reproduzida, onde se percebe que aquelas duas personagens estão a segredar algo, para evitar que alguém oiça o que estão a dizer.

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Outro tipo de balão - e este muito raramente se vê - é o que corresponde, duma só vez, a dois géneros de reacções, como se pode ver na vinheta abaixo reproduzida.
A parte superior do balão de fala tem o formato normal, apenas as letras, em corpo e espessura maiores demonstram que o emissor está a gritar.
Mas logo em seguida, o estertor (AAAARGH!!) é sublinhado pela deformação do balão, como se ele próprio estivesse a esvair-se. Uma interpretação inteligente e de elevado nível gráfico. 




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Estas imagens foram extraídas da interessante obra em BD Histoire du Far West, editada pela Larousse, nunca traduzida em Portugal. 
O episódio publicado neste fascículo (nº5 - 26 Novembro 1980), dedicado a Daniel Boone, tem por autores J. de Huescar, desenhador, e F. Giroud, argumentista/guionista.  

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Os visitantes deste blogue que tenham interesse em ver o exemplo anterior deste tema "Linguagem da BD" poderão fazê-lo clicando nesse item visível em rodapé

quarta-feira, agosto 09, 2017

BD de José Smith Vargas




Mapa Borrado é uma série de banda desenhada sob o traço de José Smith Vargas, em episódios autoconclusivos trimestrais, sempre apresentados em pranchas verticais. É notória a facilidade com que Vargas movimenta as personagens, e a expressividade que incute nos respectivos rostos. É também dele a escrita em que predomina a linguagem popular, o palavrão por vezes vernáculo. Uma banda desenhada que se encaixa bem no quadrante tendencialmente anarquista do jornal onde é publicada, o Mapa.
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JOSÉ SMITH VARGAS


Síntese biobibliográfica



José Smith Vargas, Lisboa, 1981. 

Formou-se na Escola Superior de Arte e Design das Caldas da Rainha.

Ilustrador, muralista, designer, autor e leitor de banda desenhada. 

Publicou BD e ilustração em edições da Associação Chili com Carne, na Revista Buraco e em inúmeras outras publicações, jornais, fanzines, blogues, etc.. 

Fez cartazes, designadamente para o Concurso de BD da Associação Cultural Alagamares, de Sintra.

Naquela associação dirigiu uma oficina de BD em quatro sessões, destinada a principiantes (apresentada pelo cartaz afixado aqui por cima).


Dos seus projectos de BD em curso destaca-se a adaptação de textos de Raul Brandão na série "O Fígado da República"; de crónicas sobre a requalificação do bairro da Mouraria; e "As Aventuras de Mário, o Trovador".

Tem tentado levar a influência da BD para outros territórios visuais como cartazes e capas de discos, ultrapassando a natureza sintética e aglomeradora da ilustração, antes explorando instantâneos de sequências, de narrativas inexistentes.

Nas influências, a sua referência principal em termos de autores é a BD franco-belga (clássica e contemporânea):

Edgar P. Jacobs, Jacques Martin, Franquin, François Bourgeon, Jacques Tardi, Christophe Blain, David B., Joann Sfar...

Depois há Pratt, Muñoz, Prado, Bilal, o português Relvas... 


Quanto a personagens, as preferidas vêm da escola autobiográfica americana: Harvey Pekar e Joe Sacco. Autores que se representam nas suas histórias.. No caso de Pekar, escrito por ele e desenhado por outros. 


Em relação a Mário "o trovador", bd em preparação, baseia-se num cantautor e músico de rua, iniciando assim uma série onde traça pequenos retratos da vida e ilustra alguns temas das canções do seu amigo.

José Smith Vargas está a colaborar no jornal Mapa onde, no nº8, foi publicada a sua bd "A Morte na Póvia de Sta. Iria". 

Actualmente (2017) vive na Noruega.

(*) Os seus espaços na internet:
josesmithvargas.blogspot.pt
www.behance.net/josesmithvargas


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Os interessados em ver textos anteriores da rubrica BD portuguesa em jornais poderão fazê-lo clicando no respectivo item visível em rodapé     

segunda-feira, agosto 07, 2017

Yonkoma na Ericeira BD



Yonkoma? O que é que isso quer dizer?
No site da Ericeira BD (*) vem a explicação: "é o nome japonês que se dá a uma pequena banda desenhada, geralmente cómica, construída com apenas 4 "quadradinhos". Julgo que o formato mais usual da yonkoma é uma tira vertical de quatro vinhetas.

Seja como for, o workshop que vai ser realizado no dia 8 de Agosto, ou seja, amanhã, na Ericeira BD, terá a duração de duas horas e meia, entre as 10h30 e as 13h.
Ericeira BD
Rua do Carmo
Ericeira, Mafra

Mais pormenores em:

http://www.ericeirabd.org/Workshop-Yonkoma.php 

(*) O que é a Ericeira BD? "Uma Associação Cultural sem fins lucrativos para a promoção e divulgação da Banda Desenhada, Ilustração e todas as áreas relacionadas".


Já antes falei na Ericeira BD neste blogue, no poste:

http://divulgandobd.blogspot.pt/2016/07/ericeira-bd.html

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Outras notícias acerca das actividades da Associação Cultural  Ericeira BD podem ser vistas nesse item visível em rodapé