domingo, junho 28, 2015

BD portuguesa em revistas não especializadas - Autor: Miguel Santos







No segundo número da revista "Gerador", de Outubro de 2014 (*) há, logo a abrir, uma frase manuscrita, desenhada, na qual se afirma que "ser segundo não é ser o primeiro dos últimos", assim contradizendo um chavão muito querido dos jornalistas e comentadores desportivos.

O texto ao lado, impresso normalmente, escrito por Pedro Saavedra, editor e director, começa por dizer que "(...) Uma revista sobre cultura portuguesa que sai para as bancas com 5000 exemplares, uma dúzia de cronistas, uma mão cheia de ilustradores e quatro obras inéditas não pode ser um sucesso imediato (...)".

Noutros parágrafos do citado texto editorial há frases que soaram como acordes melodiosos de música de Vivaldi a este bloguista. Leiamo-las:

"Ser número 1 não é o mais importante, há números dois muito mais inspiradores. Desde a estrada nacional 2, que liga todo o interior de Portugal, a uma BD inédita sobre as medalhas de prata (...)"

"(...) A nossa revista vai ter sempre uma história de BD. Mesmo que só sobrem duas páginas para publicar, vamos ter sempre histórias aos quadradinhos. Os egípcios e o tio patinhas nunca nos perdoariam essa falta (...)".

A sério, gostei desta conversa. E quanto à banda desenhada de Miguel Santos, tem dedicatória implícita aos segundos lugares - leitmotiv de toda a revista -, no seu título "A Medalha de Prata".

Quem o quiser comprovar terá de a verler (**) na revista, porque aqui no blogue apenas fica um aperitivo (a devida vénia aos editores e ao autor) com a reprodução de quatro das sete pranchas a cores que a compõem.

Quase que em nota de rodapé, não poderia deixar de referir que, para além da banda desenhada propriamente dita, há um texto crítico sobre BD, excelente, escrito pelo meu amigo bloguista Nuno Pereira de Sousa (quando o conheci, ele usava o pseudónimo "Enanenes", e assim o continuo a tratar) que afirma, peremptoriamente: "O segundo melhor livro de BD portuguesa 2014 é O Desenhador Defunto". 
Será que Francisco Sousa Lobo, o autor, se melindrará com a classificação?  


Ficha técnica
Título: Revista Gerador
Nº 2 - Outubro 2014
Periodicidade: Trimestral
Tiragem: 5000 exemplares
Proprietário e editor: Associação Cultural Gerador
Av. Infante Santo, 60L - 3ºA
1350-179 Lisboa 


(*) A "Gerador" vai no nº4, editado em meados de 2015

(**) Um neologismo criado por mim, esta junção de dois verbos num só, para uso na BD. Espero não chocar demasiado os linguistas mais puritanos.
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MIGUEL SANTOS

Síntese biobibliográfica

Miguel Santos, Setembro de 1980, Luanda
Tem formação em História e Arqueologia, e cursou Ilustração e BD no AR.CO - Centro de Arte & Comunicação Visual.

Tem-se dedicado em especial a trabalhar para editoras americanas de jogos de tabuleiro e Role Playing Games.

Também tem realizado bandas desenhadas para várias publicações, entre elas o fanzine Zona, a revista Gerador (Out. 2014) e o álbum colectivo Portugal 2055, sendo que nesta mais recente obra (Junho 2015) a bd foi feita sob argumento de Bruno Pinto.

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Para os visitantes que quiserem ver postagens anteriores relacionadas com o tema BD Portuguesa em revistas não especializadas bastar-lhes-á clicar no respectivo item visível em rodapé

sexta-feira, junho 26, 2015

Colóquios sobre obras de BD - A Viagem do Elefante


No interessante casco histórico do Olivais Velho, onde se mantém vaidosamente erecto um vetusto coreto, encontra-se também em funcionamento um equipamento cultural que poucos lisboetas conhecerão - eu confesso que não conhecia -, a Casa da Cultura dos Olivais, localizada numa antiga e singela casa.

É exactamente nesse quase escondido local que se vai realizar um colóquio dedicado à obra em BD, "A Viagem do Elefante", realizada por João Amaral, numa adaptação da homónima obra literária de José Saramago.

O colóquio será realizado por Cristina Gouveia - antiga responsável do Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem-CNBDI (Amadora) -, com a óbvia participação do autor da BD. 

O evento tem lugar amanhã, 27 de Junho, pelas 17h00, na Casa da Cultura dos Olivais.

Contactos:
Rua Conselheiro Mariano de Carvalho, 68
Olivais Velho

cultura@jf-olivais.pt
 

quarta-feira, junho 24, 2015

Fanzines, esses desconhecidos



 Já tem sido escrito, com frequência, por estudiosos dos fanzines - nos quais me incluo, permito-me dizer - que o neologismo "fanzine", nascido nos Estados Unidos (o conhecido Frederic Wertham, no seu livro "The World of Fanzines", indica o ano de 1930 para o The Comet, de Ficção Científica, como iniciador do movimento fanzinístico, mas em fontes diferentes surge outro antes, em 1929, o Cosmic Stories, também de FC) e absorvido na Europa nos anos mil novecentos e sessenta, sob o género masculino pelo facto de, na génese do vocábulo, estar o objecto literário, com imagens, o magazine, também popularizado em Portugal nessa época.

Fanzine, neologismo, mas já com verbete em dicionário (pela primeira vez, na 8ª edição da Porto Editora,de 2008), é formado pela contracção da palavra fan (fã, em português) e as duas últimas sílaba de magazine.

Logo, um fanzine é um magazine, editado por um ou uma fã, ou por um grupo, ou até por uma entidade cultural sem fins lucrativos, dedicado a qualquer tema, sendo em Portugal a Banda Desenhada um dos mais frequentes.



 
Capa do fanzine "Aquinocanto", da autoria de João Rubim. 

Note-se que em Espanha se diz "el fanzine" (em castelhano) e "o fanzine" (em galego, igual ao português).

Capa de "O Fanzine das Xornadas", editado aquando da realização das "VIII Xornadas de Banda Deseñada de Ourense" (na Galiza). 

O género masculino é também usado em França, visível no excerto de uma crítica extraída da revista "Vécu"





... ou no Brasil, como se pode ver na imagem seguinte

Livro da autoria do estudioso brasileiro Henrique Magalhães
 

ou em Portugal, num livro escrito por dois estudiosos portugueses do fenómeno fanzinístico (capa aqui por baixo)


Custa-me dizer isto - sou português... - mas nós, que somos um dos países europeus com maior índice de analfabetismo, e com elevada percentagem de iliteracia, tínhamos de ser os criadores desse absurdo linguístico que é mudar o género a um substantivo.

E o que é pior: quando pergunto a algum desses fanzinistas recentes, que dizem "a minha fanzine", por que motivo não dizem "o meu fanzine", respondem-me que é por ser uma revista (*), e como revista é uma palavra feminina...


E eu costumo objectar: então, como um pinheiro é uma árvore, temos de passar a dizer "uma pinheiro"?!


 Uma engraçada tira de banda desenhada da autoria de Laerte (in Diário de Notícias, 5 Jan. 2006)

Um universitário da Escola Superior de Design-ESAD, nas Caldas da Rainha - cidade onde há um buliçoso movimento fanzinístico -, reagindo à minha habitual discordância no uso do feminino para o fanzine dele, ripostou, com aquilo que começa a ser um chavão - já não é a primeira vez que oiço justificar asneiras com aquela frase -, "a língua portuguesa está sempre em evolução".

Eu sei isso, sou um estudioso da matéria. A componente mais visível dessa modificação é a constante absorção de vocábulos estrangeiros, aportuguesando-os por vezes, criando-se assim neologismos - blóguer ("blogger") ou bloguista, blogosfera, por exemplo.

Mas não há memória de, na língua portuguesa, ter havido mudança de género em algum substantivo. Estou a referir-me a mudanças correctas.

Porque, por iliteracia ou pura ignorância, há quem mude o género da palavra grama (peso).


Uma vez, uma funcionária dos correios, aqui em Lisboa, disse-me que a minha carta - com um fanzine dentro - pesava "vinte e duas gramas". Eu perguntei-lhe se ela também diria, para uma encomenda pesada, "vinte e duas quilogramas"...

Outro erro do género: há quem diga "o síndrome", quando o correcto, respeitando a etimologia, é "a síndrome". 

(*) Diferença entre fanzine e revista

Vigora ainda entre nós o erróneo conceito de que o termo fanzine apenas se aplica a publicações de pouca qualidade gráfica, compostas por fotocópias ou, na melhor das hipóteses - mais actualizada - em cópias digitais, diferentemente do que se entende por revista, publicação impressa em offset, de qualidade superior. 

Ora sempre houve fanzines impressos em offset, de excelente aspecto gráfico, mesmo em Portugal - esta expressão "mesmo em Portugal" não pretende ser depreciativa em relação ao nosso país, apenas realça o facto de haver grande desconhecimento do que se fez entre nós, desde 1972, Ano I do fanzinato português, com o aparecimento em Janeiro desse ano do nosso primeiro fanzine, o Argon. e de alguns impressos em offset, entre os oito editados nesse ano.

Mas quem já esteve em Angoulême, no grande festival francês de BD, indubitavelmente o maior evento europeu do género, pôde ver, no pavilhão dos fanzines, dezenas deles impressos em offset e até vários com lombada quando mais volumosos, exibindo uma apresentação gráfica a rivalizar com quaisquer publicações profissionais.

Ora à conta do fanzine Efeméride - um dos quinze títulos que já editei - tenho ouvido com frequência o comentário: "isto é uma publicação luxuosa, é uma revista, já não é um fanzine!".

Mantém-se ainda hoje, portanto - julgo que só em Portugal - este preconceito em relação aos fanzines.


Insisto: uma qualquer publicação pode ter ISSN, depósito legal, até código de barras, e uma impressão gráfica de nível equivalente a qualquer revista comercial/profissional. Mas se não for publicada por uma editora legalizada, mesmo de pequena dimensão, se quem a edita não o fizer para beneficiar dos lucros das vendas, se o seu editor e respectivos colaboradores colaborarem pro bono, isto é, não lhes seja paga a colaboração, se não tiver periodicidade, se a sua tiragem for pequena, e por isso não poder ter distribuição a nível nacional, ou, como acontece em alguns outros casos, tenha uma concepção gráfica irregular - por exemplo, mudar repentinamente de formato -, então, por uma questão conceptual e de diferenciação de géneros, deverá ser-lhe aplicada a classificação de fanzine .

Não há nesta classificação qualquer intenção depreciativa, porque, afinal de contas, um fanzine é um campo de liberdade para a criatividade, é a permissividade total para que a imaginação se expanda sem limites, a todos os níveis: desde o conteúdo e a forma das obras publicadas, até à diferenciação dos títulos: enquanto que os das revistas são geralmente formais (Visão, Sábado, Nova Gente) para serem bem aceites, ao invés dos dos fanzines, que são provocatórios, brincam com a ortografia e com as cacofonias (KBD, Nuxcuro, Carneiro Mal Morto, Nova Gina, Kaganiço). 
 

E na forma, um fanzine tanto pode ser modesto como luxuoso, depende da disponibilidade do faneditor, ou até de uma qualquer associação sem fins lucrativos - que também as há a editar publicações que se inserem na categoria de fanzines -, visto que essas associações não vivem das vendas, mas sim de apoios de beneméritos ou de associados. 

Em suma: um fanzine (ou um zine) pode apresentar-se sob o modo gráfico de revista, mas por todas as circunstâncias antes descritas, um fanzine não é uma revista, um fanzine é um fanzine é um fanzine.       

segunda-feira, junho 22, 2015

Loja das Colecções, um templo da BD prestes a fechar





Haverá algum coleccionador de banda desenhada que não conheça a Loja das Colecções, em Lisboa?

Pois aqui fica a péssima notícia que muitos ainda não saberão: a categorizada loja vai fechar no próximo dia 30 de Junho.(*)

A maior livraria/alfarrabista da cidade tinha-se tornado um local incontornável durante anos, graças à dinâmica do seu falecido dono, Castanheira da Silveira. E Isabel Silveira, sua filha, conseguira aguentar sozinha a enorme casa. 

Mas a situação tornou-se-lhe insustentável, e irá ter de entregar a loja no dia 1 de Julho. 
Até lá, está a vender todo o acervo da livraria com 50% de desconto!

Loja das Colecções
Rua da Misericórdia, 115
1200 Lisboa
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(*) ÚLTIMA HORA

Fui-me despedir hoje, 3ªfeira, da Loja e da Isabel Silveira. 
Por informação dela, que transmito aos visitantes deste blogue, a loja terá amanhã, 4ª feira, dia 24 de Junho de 2015, o seu derradeiro dia de existência.

domingo, junho 21, 2015

Curso sobre BD de Super-Heróis


De vez em quando há notícias que surpreendem pela invulgaridade. Por exemplo esta: vai realizar-se um curso de Verão intitulado Universos Partilhados no Cinema e na Banda Desenhada de Super-Heróis.

O título é sugestivo, inquestionavelmente. Mas quem são os responsáveis por este curso?

Tudo está esclarecido no texto divulgatório que me enviaram, e que em seguida reproduzo:  

Estão abertas as inscrições para o curso de Verão “Universos Partilhados no Cinema e Banda Desenhada de Super-Heróis.” 

Realizar-se-á de 6 a 15 de Julho, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH), da Universidade Nova de Lisboa. 

As inscrições podem ser feitas online ou no secretariado da Escola de Verão FCSH/NOVA.

Organizado pelos investigadores Ana Cabral Martins da FCSH e Hugo Almeida da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, este curso tem a duração de 23h (com uma hora de avaliação adicional optativa), dividido em sessões de 3h.  

O curso abordará os universos ficcionais de super-heróis. Em particular, discutiremos o desenvolvimento de universos partilhados, ou seja, constelações de personagens e eventos que participam ou que têm consequências para múltiplas obras de ficção, e que são geridas em colaboração por vários autores. 

Este modelo de produção tornou-se canónico na indústria de banda desenhada norte-americana, e a sua introdução recente no cinema de Hollywood teve consequências dramáticas do ponto de vista industrial, narrativo e criativo. 

Mais informações:

Inscrições no campus: Secretariado da Escola de Verão FCSH/NOVA - Torre B, 1º andar, Divisão Académica
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Universos Partilhados no Cinema e Banda Desenhada de Super-Heróis

Início: 6 de julho
Datas: 6 a 15 de julho | dias úteis das 14h00 às 17h00
Docente Responsável: Margarida Medeiros
Professores: Ana Cabral Martins e Hugo Almeida*
Áreas: Artes

Objetivos
a) Objetivos de Aprendizagem:
- Obter e aprofundar capacidades analíticas acerca do significado dos processos de convergência na indústria dos média e o modo como a indústria cinematográfica foi, e é, afetada.
- Observar e examinar novas estruturas narrativas dos média e o modo como estas se confrontam com as estruturas narrativas do paradigma anterior.
- Examinar a intertextualidade e translinearidade das narrativas de super-heróis, e compreender como se negoceiam a estética e as narrativas de diferentes autores e personagens.
- Obter e aprofundar capacidades de análise e crítica do processo de adaptação narrativa intra-media e inter-media.
b) Competências Específicas:
- Estudo e discussão de textos de referência relativos a cada seminário que compõe a estrutura curricular do curso.
- Aplicação crítica dos conhecimentos teóricos adquiridos na elaboração de um ensaio cujo tema e modo de realização sejam discutidos em aula.
- Apresentação oral do trabalho realizado no âmbito do curso.

Programa
Neste programa de trabalhos, pretendemos abordar o conceito de “universo partilhado” como estratégia narrativa e industrial. Entende-se por universo partilhado o conjunto de personagens, locais e situações que são comuns a múltiplas obras de ficção—de um ou mais autores—, por via de entrosamentos vários entre estas. Serão discutidos dois exemplos em concreto pelo seu nível de desenvolvimento e relevância mediática: o género dos super-heróis na banda desenhada e no cinema. Abordaremos as condições históricas e os intervenientes que conduziram ao desenvolvimento de universos partilhados na BD e filmes de super-heróis; o diálogo transmedia que permitiu este desenvolvimento; as consequências para as duas indústrias, do ponto de vista industrial e do ponto de vista criativo; e as diferentes formas de intertextualidade que mantêm a integridade destes universos partilhados.
As aulas focar-se-ão sobre os seguintes pontos em particular:
- A cultura de convergência e a conglomeração de Hollywood;
- A era “heróica” de Hollywood: a emergência de filmes de super-heróis;
- A transposição do género dos super-heróis da banda desenhada para o cinema americano: a estética da adaptação, especificidades do meio e audiência, e a suas consequências ideológicas;
- A intertextualidade radical na banda-desenhada de super-heróis: universos partilhados, pastiche, desconstrução e recriação;
- Da banda-desenhada ao filme: adaptações de Spider-Man, X-Men, Fantastic Four (Marvel);
- Da banda-desenhada ao filme: adaptações de Batman, Superman, Green Lantern (DC Comics);
- Narrativas transmedia e modelos de universos partilhados;
- A adaptação do modelo do “universo partilhado” da banda-desenhada de super-heróis para o cinema;
- Como a Marvel Studios mudou o paradigma do blockbuster americano: os filmes e as adaptações da fase 1 e 2 do Universo Cinematográfico da Marvel.

Pré-requisitos
Leitura aconselhada:
MILLAR, Mark; Yu, Leinil - Civil War. Marvel Comics, 2007.
MILLAR, Mark; HITCH, Brian. The Ultimates: Ultimate Collection. Marvel Comics, 2010.
KIRBY, Jack - Jack Kirby’s Fourth World Omnibus, vols. 1, 2, 3 e 4. DC Comics, 2007.
ELLIS, Warren; CASSADAY, John - The Planetary Omnibus. DC Comics, 2014.
MOORE, Alan; GIBBONS, Dave. Watchmen. DC Comics, 2014.
DARIUS, Julian. Watchmen and Intertextuality: How Watchmen Interrogates the Comics Tradition. Sequart Organization. 21 de Março de 2005. Acedido em 19 de Fevereiro de 2015 http://sequart.org/magazine/2664/watchmen-and-intertextualiy-how-watchmen-interrogates-the-comics-tradition/

Bibliografia
GORDON, Ian; MARK, Jancovich & ,MCALLISTER, Matthew - Film and Comic Books. 1st edition. Jackson: University Press of Mississippi, 2007.
GRAY, Richard & KAKLAMANIDOU, Betty - The 21st Century Superhero: Essays on Gender, Genre and Globalization in Film. Jefferson, N.C: McFarland, 2011.
JENKINS, Henry - Convergence Culture: Where Old and New Media Collide. Revised edition. New York: NYU Press, 2008.
HATFIELD, James - Hand of Fire: The Comics Art of Jack Kirby, Jackson: University Press of Mississippi, 2012.
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*Ana Cabral Martins
Experiência:
Assistente de Produção, Ambar Filmes, Lisboa — Abril 2008 a Setembro 2009
Assistente de Produção; Anotadora (“Perdida Mente”, 2010); Assistente de Montagem (“O Espelho Lento”, 2010).
Estagiária, Cinemateca Portuguesa — Centro de Conservação (ANIM), Bucelas — Outubro 2007 a Janeiro 200. Assistente na secção de Identificação de materiais fílmicos. Assistente no arquivo do sector dedicado a Novos Suportes.
Estagiária, Filmes do Tejo, Lisboa — Julho 2007 a Setembro 2007
Preparação de materiais de divulgação de filmes produzidos pela Filmes do Tejo para festivais internacionais. Compilação de bases de dados e de contactos. Tradução e transcrição de conteúdos. Breve assistência na pós-produção do filme “Cristóvão Colombo — O Enigma” (2007).
Educação:
Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas — Doutoramento em Media Digitais do Programa UTAustin|Portugal (em associação com a Faculdade de Ciências e Tecnologia da UNL, a Universidade do Porto e a Universidade do Texas em Austin), 2014
Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas — Mestrado em Ciências da Comunicação, Especialização em Cinema e Televisão, 2009
Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas — Licenciatura em Ciências da Comunicação, Especialização em Cinema e Televisão, 2007
WORKSHOPS. Digital Hollywood Workshop — UT/Portugal 2008 Digital Media Summer Institute (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas).
Technology and Culture Workshop — UT/Portugal 2009 Digital Media Summer Institute (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas).
Convergent Hollywood Workshop — UT/Portugal 2009 Digital Media Summer Institute (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas).
Intro to Digital Documentary Workshop — UT/Portugal 2009 Digital Media Summer Institute (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas).
Documentary Mash Up Workshop — UT/Portugal 2010 Digital Media Summer Institute (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas).
Digital Cinema Workshop — UT/Portugal 2010 Digital Media Summer Institute (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas).
Cinematography Workshop — UT/Portugal 2012 Digital Media Summer Institute (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas).


*Hugo Almeida
Formação:
2013-corrente: Investigador pós-doc em comunicação visual e estudos de Banda Desenhada, na Faculdade de Belas-Artes, Universidade de Lisboa.
2014:Anthropocene Campus –programa académico multidisciplinar entre investigadores e artistas, Haus der Kulturen der Welt, Berlim, Alemanha.
2014:Laboratório de Ilustração e Banda Desenhada (curso de 100 horas de Banda Desenhada), leccionado na Faculdade Belas-Artes, Universidade de Lisboa.
2013:Desenho I (cadeira semestral de Licenciatura frequentada em regime livre), na Faculdade de Belas-Artes Universidade de Lisboa.
2013:Doutoramento em Biologia Molecular, pelo trabalho desenvolvido no Instituto Gulbenkian de Ciência (título da tese: Measuring chromosome-end fusions in fission yeast). Grau conferido pela Universidade Nova de Lisboa.
2012:Membro fundador do selo editorial de banda desenhada e pesquisa “Clube do Inferno” (http://clubedoinferno.tumblr.com).
2006: Licenciatura em Biologia Microbiana e Genética, na Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa
Publicações académicas:
Almeida H. (2014) From comics to biology diagrams: structure and inference in visual narratives of transformation. Em revisão.
Almeida, H., (2013) Measuring Chromosome-end fusions in fission yeast. tese de Doutoramento.
Almeida, H. and Godinho Ferreira, M. (2013) Spontaneous telomere to telomere fusions occur in unperturbed fission yeast cells. Nucleic Acids Research, 41, 3056-3067.
Publicações de banda desenhada:
Almeida, H. (2014) 3 Stories. Edição de autor sob o selo editorial Clube do Inferno
Almeida, H. (2014) Radiation #2. Edição de autor sob o selo editorial Clube do Inferno
Almeida, H. (2013) Radiation #1. Edição de autor sob o selo editorial Clube do Inferno
Almeida, H. (2012), Ghostspeaker. Edição de autor sob o selo editorial Clube do Inferno.
Almeida, H., (2005) Eléctrica Cadente. BLAZT — Antologia de Banda Desenhada, 1, 14-17.
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Os visitantes interessados em ver as postagens anteriores deste tema poderão facilmente fazê-lo. Bastará clicarem sobre o item Cursos e Workshops, visível no rodapé

sábado, junho 20, 2015

Lançamentos - Portugal 2055


Em relação à BD pode dizer-se que ela tem estado a conseguir tornear a crise económica, pelo menos no que se refere com a realização de eventos que lhe são dedicados e ao lançamento de obras, assim como ao apoio que lhe é concedido por entidades institucionais e pequenos agrupamentos editoriais.

Como prova, vejam-se as duas postagens anteriores: numa delas registei o lançamento de um livro intitulado MAGA com  textos diversos sobre banda desenhada, em edição conjunta de duas pequenas editoras independentes, Oficina do Cego e Clube do Inferno; na seguinte, divulguei o evento que terá lugar hoje no Museu Bordalo Pinheiro. E nesta terceira postagem anuncio o lançamento da obra Portugal 2055, que neste mesmo dia, 20 de Junho, Sábado, vai ter lugar num local improvável, o Museu Nacional de História Natural e da Ciência, em Lisboa, tal como as anteriores iniciativas. 

Reproduzo em seguida a nota divulgatória pessoal (peço desculpa a Penim Loureiro pela ousadia) que me foi enviada:

Caro Geraldes Lino

Vai ser lançado o livro Portugal 2055 no átrio do Museu Nacional de História Natural e da Ciência no próximo dia 20 de junho, às 16:30h (dia do museu).
Será dia aberto no museu, com diversas atividades.

A partir das 18H30 irei estar com os restantes ilustradores próximo da entrada do Jardim Botânico, para autografar exemplares deste livro. (não consigo chegar mais cedo pois estou a estarei a dar o Workshop de Desenho Digital na BD no Museu Bordalo Pinheiro e o Geraldes também será moderador da Conversa sobre Fanzines às 17h)

Portugal 2055 é uma BD sobre as alterações climáticas em Portugal. Coordenado pelo Fil e pelo Bruno Pinto, do Museu Nacional de História Natural e da Ciência e com a participação de uma série de ilustradores, entre eles Nuno Lourenço Rodrigues, Susa Monteiro, Carla Rodrigues e...eu Penim Loureiro.

Um grande abraço

Penim

Feira de Poesia e BD, workshop de desenho digital e fanzines à conversa


O Museu Bordalo Pinheiro está a atravessar um período de visível dinâmica no capítulo da criação de eventos de cariz cultural. E, como é natural, numa instituição essencialmente dedicada a Rafael Bordalo Pinheiro, pioneiro da banda desenhada em Portugal, a BD está incluída - e também os respectivos fanzines - na iniciativa que vai decorrer hoje mesmo, Sábado, 20 de Junho, com início às 11h00 da manhã.

Para quem ainda não conhece a Feira do Livro de Poesia e Banda Desenhada, uma iniciativa semanal de Inês Ramos, eis agora uma boa oportunidade. Também merece destaque o workshop em desenho digital na BD (photoshop), inserido no final do curso de BD que Penim Loureiro tem estado a dirigir naquele museu.

"Fanzines à Conversa" é o espaço dedicado às publicações alternativas, de que os zines foram pioneiros entre nós.

Para terminar, haverá uma prova de cerveja Bordallo (grande novidade!), o que decerto atrairá muitos curiosos.  

sexta-feira, junho 19, 2015

Lançamento - MAGA Textos sobre BD



MAGA é o título de uma novel publicação que inclui textos sobre BD e fanzines, pormenores suficientes para me suscitarem curiosidade e apoio solidário.

A edição tem a chancela de duas editoras independentes, Oficina do Cego e Clube do Inferno, que tentam experienciar todo o tipo de publicações. Aliás, nada melhor (e mais fácil) do que reproduzir o texto divulgatório daquela parceria. Ei-lo:

Maga é um teste de publicação, "a ver se dá". Compila textos que os membros do Clube do Inferno escreveram ao longo de 2014, sobre banda desenhada, anime, arte, afinidades infinitas.


Destinado a quebrar o molde do zine, este projecto tornou-se uma colaboração mais extensa — o design do livro é do João Sobral (Panda Gordo), que também escreve sobre vender zines em Londres; o Marcos Farrajota (Chili Com Carne) contribui com o seu relatório anual de fanzines e edição independente, secundado por tiras do Gato Mariano que são de cagar a rir; o Tiago Baptista deixa-se entrevistar com jeitinho. Publicam o Clube e a Chili Com Carne/Thisco.


Na apresentação do livro na Oficina do Cego falaremos um pouco mais do seu processo de produção e do funcionamento do Clube do Inferno, onde actividade prática e actividade teórica são inseparáveis. 


Produziremos ainda uma serigrafia com um desenho do André Pereira que será oferecida com o livro!

O colectivo estará presente, a imprimir a serigrafia. Venham ver-nos a sacudir de emulsão e a empilhar para secar. 



A charla oficial deve ficar lá para as 20h.


Incluí esta postagem na recente rubrica "Lançamentos com festejos" porque haverá comes e bebes - sendo que isto, em tempo de crise, é uma notícia digna de se festejar!

O evento terá lugar na 6ª Feira, 19 de Junho, na Oficina do Cego.

A Oficina do Cego, composta por gente de grande visão, fica na Rua Sabino de Sousa, 42 A. 

quinta-feira, junho 18, 2015

Clube Português de Banda Desenhada - O renascer


Hoje em dia poucos apreciadores de BD terão a noção de que existe uma colectividade amadora que se fundou, em Junho de 1976, sob o título de Clube Português de Banda Desenhada, que também usou a sigla CPBD.

Mas a verdade é que, de facto, esse clube teve visível actividade nas recuadas décadas de 1980 e 1990, organizando exposições de banda desenhada bem como o Festival de Banda Desenhada de Lisboa a partir de Maio de 1982 - que durou quinze anos - e editando desde Março de 1977 o Boletim do Clube Português de Banda Desenhada, o mais antigo fanzine português ainda em publicação.


Por razões diversas - que seria difícil e fastidioso descrever na presente postagem - este clube como que hibernou durante cerca de quinze anos, apenas mantendo pequena chama graças a meia dúzia de bedéfilos que continuaram a fazer reuniões quinzenais e a organizar um almoço anual. E - isso tem sido importante - a editarem o já citado fanzine, com alguns números de grande interesse.

Graças a factores exógenos, o CPBD está neste momento em vias de ser reavivado, com a hipótese de lhe ser cedido na Amadora o espaço onde esteve instalado o extinto CNBDI - Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem. Daí que alguns dos seus mais antigos membros estejam a envidar esforços para dar nova vida à colectividade, quase a partir do zero. 

Nesse sentido está a ser divulgado o seguinte texto:



E aqui fica um exemplar do Boletim de Admissão ao CPBD

BOLETIM DE ADMISSÃO AO CLUBE PORTUGUÊS DE BANDA DESENHADA (PROVISÓRIO)

Nome:………………………………………………………………………………………………………………………….

Endereço:…………………………………………………………………………………………………………………….

Telefone…………………….   Telemóvel…………………………….. E-mail…………………………………….

Data de Nascimento:………./…../……..                       Nº. de Sócio………………………………………

Observações:…………………………………………………………………………………………………………………

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A Câmara Municipal da Amadora também colaborou, no seu espaço na Net, na divulgação inicial da nova localização do Clube Português de Banda Desenhada-CPBD.

Veja-se o seguinte link:  

http://www.cm-amadora.pt/noticias-cultura/1822-7-novembro-abertura-das-novas-instalacoes-do-clube-portugues-de-banda-desenhada-na-amadora

terça-feira, junho 16, 2015

Lançamento - QCDI 3000 - 3º volume



Fear of a Capitalist Planet é o título do evento - que promete ser animado - previsto para dia 18 do corrente mês de Junho, no Espaço DAMAS(*), onde terá lugar o lançamento do 3º volume da colectânea QCDI 3000 - que dá título ao evento - com bandas desenhadas de autores da nova geração da BD nacional.

Trata-se agora de uma edição feita pela parceria Associação CCC-Chili Com Carne e Clube do Inferno, que já têm a seu crédito obras de elevada qualidade no quadrante da BD alternativa.

Neste volume incluem-se - lê-se na nota divulgatória para a blogosfera - "quatro histórias que operam em diferentes matizes, entre o fantástico, o político e o onírico. Dragões, polícias e pizzas deformadas fazem parte da iconografia deste projecto (...)".

A componente festiva do lançamento conta com Felipe Felizardo, músico convidado para criar o ambiente próprio das narrativas pós-apocalípticas que integram o QCDI 3000, e conta igualmente com o unDJMMMNNNRRRG, o qual conclui a noite com tangos finlandeses, drones e hip-hop.  

(*) Espaço DAMAS 
Rua da Voz do Operário (Bairro da Graça) nº 60
Lisboa 

sábado, junho 13, 2015

BD portuguesa em jornais - Autor: António Ruivo



António Ruivo, na entrevista que lhe fiz e publicada antes neste mesmo suplemento "Tablóide" do jornal Diário Popular, admitiu que um dos seus autores de BD de eleição era Berni Wrightson.

Não seria necessário dizê-lo, bastava ver esta curta banda desenhada em três pranchas, "O Beco", para facilmente se chegar a essa conclusão.

Tinha apenas vinte e um anos, aquele jovem. Tinha bebido a influência num autor de BD excepcional, tinha-a assimilado correctamente, e tinha muito tempo para ultrapassar essa aprendizagem e avançar para o seu próprio estilo. 
Mas infelizmente, tanto quanto sei, António Ruivo, além desta e de duas ou três bandas desenhadas tipo western que fez para o Mundo de Aventuras, não tornou a fazer BD.

Se alguém tiver o contacto dele, muito grato ficaria que mo transmitisse. Outra hipótese é de que ele próprio veja esta recuperação da sua bd publicada entre 9 e 16 de Novembro de 1985, já lá vão quase trinta anos!  

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Os visitantes interessados em ver as anteriores postagens poderão fazê-lo clicando no item BD portuguesa em jornais, incluído em rodapé.
Caso queiram ler a entrevista com António Ruivo, podem fazê-lo clicando no item António Ruivo