domingo, novembro 30, 2014

Tertúlia BD de Lisboa - 366º Encontro





365 encontros de apreciadores de banda desenhada é o palmarés  da Tertúlia BD de Lisboa. Claro que tem a ver com a já longa existência desta associação informal: 29 anos! 

Composição gráfica da autoria do ilustrador/autor de BD Outro Nuno, reproduzindo um encontro da Tertúlia BD de Lisboa num dos salões da Casa do Alentejo

No encontro (366º) de 2 de Dezembro de 2014, haverá, como mensalmente acontece, um autor de BD que irá ser o Convidado Especial. 
Chama-se Pedro Cruz, e a sua autobiografia está publicada no programa de Dezembro da TBDL (que reproduzo aqui em baixo), e que será distribuído por todos os participantes.

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PEDRO CRUZ

Autobiografia

Pedro Miguel de Sousa Dias Oliveira Cruz
24 Setembro 1975, Lisboa


Nasci e cresci numa época em que os quiosques ainda tinham as paredes repletas com revistas de histórias aos quadradinhos a preços relativamente acessíveis.

Tio Patinhas, Pato Donald, Rato Mickey, Petzi, Luluzinha, Riquinho, Gasparzinho, Brazinha, Turma da Mónica, Pelézinho, Astérix, Lucky Luke, Os Estrumpfes, Spirou, Mafalda, Valérian, Fantasma, Mandrake, Flash Gordon, Príncipe Valente, Super-Homem, Batman, Capitão Amárica, Homem-Aranha, O Incrível hulk, O Poderoso Thor... foram algumas das muitas personagens de banda desenhada que povoram o meu imaginário infantil.

Paralelamente, também a televisão e o cinema desempenharam um papel importante na minha formação. Os velhos desenhos animados da Warner Brothers, de realizadores como Chuck Jones, Tex Avery ou Fritz Freleng, as séries da Hanna-Barbera com design de Alex Toth, as animações japonesas daNippon Animation, com realização de Isao Takahata ou Hayao Miyazaki, os fantoches de Jim Henson e os filmesda Walt Disney, de Steven Spielberg e George Lukas foram igualmente fulcrais na fertilização da minha mente, imaginação e sensibilidade visual. 

Enquanto filho único, passava horas a fio desenhando personagens e aventuras imaginadas ou copiadas das minhas bd's e/ou séries de animação favoritas, num estilo que tentava reproduzir a mesma estética de todo esse manancial visual que se me apresentava. Os meus pais, com ou sem consciência, alimentavam o fascínio por esse universo, dando-me folhas brancas, cadernos e canetas. Deste modo,o gosto pelo desenho, filtrado pelas experiências da leitura de bd e dos desenhos animados tornou-se uma paixão. Lia muita bd, devorando e colecionando de tudo, presente e passado, europeu,americano e japonês, de um modo muito eclético e voraz. Rapidamente, passei além do interesse pelas personagens ou séries, comecei a seguir autores e a ler revistas de crítica e notícias da bd. Já não me bastavam as ficções, queria descobrir os bastidores, os processos de criação e os modos de fazer.

Já jovem adulto, iniciei a licenciatura em arquitectura pela Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa. Na altura, pareceu-me uma escolha adequada porque tinha as notas necessárias para entrar no curso, porque parecia ter como saída uma profissão interessante e ainda me permitiria desenhar e aprender disciplinas relacionadas com arte. No entanto,nunca me senti plenamente integrado e realizado nesse meio, o qual comecei a considerar um tanto ou quanto snob e adverso, de um modo geral, à bd, e aos seus autores e leitores.

Ainda durante os meus anos na faculdade, trabalhei profissionalmente em animação, um sonho antigo, que acabou por se revelar uma desilusão. A animação apresentou-se-me como uma autêntica galera romana, uma máquina onde o indivíduo é reduzidoauma rosca na engrenagem, sem margem para a expressão pessoal, muitas vezes tratado com desrespeito e mal pago.

Abandonei esse caminho, concluí a licenciatura,dediquei-me ao ensino, fazendo o mestrado profissionalizante como professor do ensino básico e continuei a desenhar nos meus tempos livres,produrando evoluir e continuando a aprender, lendo e analisando obras dos mais variados autores de bd. 

Ganhei dois prémios na modalidade de cartoon do concurso do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora em 2000 e 2003. 
Colaborei no fanzine Nimbus da FAUTL.
Tive ilustrações publicadas no XL Magazine da Associação de estudantes do ISEL.
Participei com ilustrações, cartoons e bd's no DN Jovem.
Desenhei dois capítulos da bd Guard Dogs , escrita por Jason Quinn para o fanzine britânico Starscape.
Desenhei a bd Helljacket escrita por Steve Zegers e publicada na norte-americana Ronin Illustrated #2.
Auto-publiquei Pedro Cruz: Selected Sketches, uma coleção de desenhos e esboços.
Desenhei o primeiro e único número de The Kirby Martin Inquest e uma bd curta The Semite, com argumentos de Mike Hasselhoff para o selo australiano Nitelite Theatre.

Colaborei regularmente com ilustrações para a editora norte-americana Airship 27, tendo ilustrado os seguintes livros de pulp fiction: Jim Anthony Super Detective, Season of Madness, Jim Anthony Super Detective - The Hunters, Dr. Watson's American Adventure, Three Against the Stars e Zeppelin Tales.

Participei com a comunicação "Fanzine de bd e literacia visual" nas 3ªs Conferências de Banda Desenhada em Portugal, baseada na minha tese de mestrado.


Desde Julho de 2006, publico semanalmente o meu blogue www.pedro-cruz.blogspot.com, onde tenho colocado textos, desenhos e bandas-desenhadas, destacando-se a este nível, Grace (com argumento de Arya Ponto), Cosmopolis (inacabada), WHYM, Metanoia e The Mighty Enlil.

Esta última bd também foi serializada no site norte-americano comicrelated.com, tendo sido publicada em papel pelo selo editorial norte-americano Redbud Studios e pela El Pep em Portugal.

A edição nacional deste livro foi nomeada para os prémios do Festival de BD da Amadora 2014 na categoria de Melhor álbum de autor português em língua estrangeira.

No último ano, colaborei com o argumentista André Oliveira em duas bd's publicadas na revista CAIS, O Inominável Homem-Sapo e O Inominável Homem-Sapo Parte II.

Também fiz 4 bd's para o fanzine Efeméride nº 6 de Geraldes Lino, desenhando as personagens Conan o Bárbaro, Flash Gordon, Homem-Aranha e Watchmen.

Recentemente, criei a bd Young Enlil goes to Hell, uma prequela/sequela de The Mighty Enlil, publicada na antologia CRUMBS da Kingpin Books.

Para o futuro próximo, estão planeadas colaborações com os argumentistas André Oliveira e Fernando Dordio e mais um trabalho a solo.

Posso ser contactado via email através de pedrocruzcomics@gmail.com


Foto colocada aqui a posteriori, onde se vêem (da esquerda para a direita):
Carlos Moreno, Geraldes Lino, Inês Ramos, Pedro Cruz, António Isidro, Ana Saúde (na fila da frente); na fila de trás, a esticar a cabeça, Álvaro.

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Lista de participantes fornecida por Inês Ramos - elemento do quarteto [fantástico] que desde Julho de 2013 dirige a TBDL - aqui acrescentada "a posteriori"

1. Adelina Menaia
2. Álvaro
3. Ana Oliveira
4. Ana Saúde
5. Andreia Rechena
6. António Isidro
7. Bruno Caetano
8. Bruno Carmelo
9. Catarina Cruz 
10.Cristina Costa Amaral 
11.Falcato
12.Fernando Dordio
13.Fil
14.Filipe Duarte
15.Gabriel Martins
16.Geraldes Lino
17.Helder Jotta
18.Inês Ramos
19.Isaac Cruz (idade: 7 meses, filho de Pedro Cruz e de Catarina Cruz)
20.João Amaral
21.João Monsanto
22.João Tavares
23.João VIdigal
24.José Maria Pimentel
25.Manuel Valente
26.Miguel Costa Ferreira
27.Miguel Santos
28.Milhano
29.Moreno
30.Paulo Costa
31.Pedro Bouça
32.Pedro Cruz
33.Pedro Manaças
34.Policarpo
35.Rui Domingues
36.Sá-Chaves
37.Sérgio Santos
38.Simões dos Santos
39.Victor Jesus
40.Vítor Nascimento
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Os visitantes interessados em ver as anteriores postagens deste tema poderão fazê-lo clicando no item Tertúlia BD de Lisboa incluído em rodapé

sexta-feira, novembro 28, 2014

Clube Tex Portugal - Lançamento da revista/fanzine do clube


                          CLUBE TEX PORTUGAL
O único clube português dedicado a um herói de BD

Este é um provável slogan para apresentação do Clube Tex Portugal. Aconselho-o (apesar de ser suspeito, o José Carlos Francisco sabe porquê).

E a capa da publicação Revista do Clube Tex Portugal # 1, editada em Novembro de 2014 (imagem no topo do post), é agora o maior motivo de orgulho dos entusiastas texianos sócios da colectividade bedéfila, visto que representa uma realização visível, manuseável e coleccionável, do novel clube. 


Após a 1ª Mostra do Clube Tex Portugal, realizada em Agosto do corrente ano de 2014, na cidade de Anadia, os responsáveis continuam as actividades do clube texiano (admire-se, aqui por cima, o respectivo emblema (*), estando previsto para Sábado, dia 29 de Novembro, mais um convívio/jantar. 

Para melhor informar acerca de mais esta realização do Clube Tex Portugal, o preferível é limitar-me a fazer copy paste do texto divulgatório no "Tex Willer Blog", que é o seguinte:

A Direcção do Clube Tex Portugal vai organizar no próximo dia 29 de Novembro, sábado, um jantar/convívio para que os sócios do Clube recebam pessoalmente a REVISTA nº 1 do Clube Tex Portugal devidamente autorizada pela Sergio Bonelli Editore.
Revista essa que é feita, exclusivamente, por sócios do Clube e será igualmente para sócios já que a revista será somente distribuída aos sócios (cada sócio terá direito a um exemplar gratuito, podendo comprar apenas um segundo exemplar), inclusive a capa (inédita e exclusiva) é realizada pelo sócio honorário e padrinho do Clube, Andrea Venturi.

O jantar, que terá início às 20.30 horas, ocorrerá no Cacém, mais precisamente no Restaurante Regiões, um espaço amplo e agradável com música ao vivo, situado no Alto da Bela Vista, Pav. 2 – Estrada Paços de Arcos • Cacém 
(http://www.regioesrestaurante.com/)
 
As crianças até aos 4 anos não pagam, crianças dos 5 aos 10 anos pagam 10,00€ e a partir dos 11 anos o preço é de 19,50€.
Para além da entrega de um exemplar GRATUITO a cada associado presente, o jantar servirá principalmente para fomentar e fortalecer o convívio texiano e também para se debater sobre as principais iniciativas do Clube Tex Portugal para 2015, com especial incidência num segundo evento a realizar, na Primavera, novamente na Bairrada, e que contará com a presença de LUCIO FILIPPUCCI, renomado autor italiano de Tex e que incluirá também nova exposição dedicada ao Ranger.

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(*) Mais uma sugestão: seria interessante, para os sócios, que este emblema fosse produzido em autocolante, que poderia ser colado nos carros, por exemplo

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Os visitantes do blogue que estejam interessados em ver  postagens anteriores sobre este tema poderão fazê-lo clicando no item Tex em Portugal, visível em rodapé

quinta-feira, novembro 27, 2014

Pintura e BD - Galeria Novo Século, Lisboa



A eventual contaminação da Pintura pela BD tem raízes que vêm de longe no tempo. William Hogarth, no Século XVIII pintava cenas com sequencialidade e até usava filacteras, antepassadas dos balões de fala da banda desenhada moderna.

Picasso chegou a pintar uma prancha com várias vinhetas, tal como Goya tem pinturas em jeito de figuração narrativa; e tanto Roy Lichtenstein como Andy Wharol, dois artistas integrados na cena pop, fascinaram-se notoriamente pela banda desenhada nas suas pinturas.

Em Portugal, é bem conhecido o pendor banda-desenhístico de Eduardo Batarda, e até há sete quadros de Paula Rego onde é visível propositada sequencialidade.

Vem isto a propósito de Carlos Barroco, um pintor que, lá pelos fins dos anos 1970, andou envolvido na BD e participou em fanzines BD, e que nunca esqueceu esses amores, fascínio bem visível na pintura que ilustra a presente postagem.

Esta e mais umas outras vão estar numa exposição e na Feira "Ludus" (que entre outras coisas, inclui banda desenhada, e é também por isso que a menciono) com inauguração marcada para Sábado, dia 22 do corrente mês de Novembro, pelas 19h00, na Galeria Novo Século. (*)

A exposição estará patente ao público de 29 de Novembro a 30 de Dezembro 2014.
De Terça a Sábado, das 14 às 19 horas.

(*) Rua de O Século, 23A
Lisboa   

terça-feira, novembro 25, 2014

Exposições BD Avulsas (Viseu) - Batman



Em Viseu há um núcleo de apaixonados da BD, pequeno mas muito activo, integrado num colectivo institucional, o GICAV - Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu, onde se destaca o professor Carlos Alberto Almeida, membro do GICAV e coordenador do Salão Internacional de Banda Desenhada que se realiza naquela cidade, já com dezoito edições (embora sem periodicidade regular, mas tendencialmente bienal).

Para além dessa tarefa, o GICAV, em especial pela acção contínua daquele professor, pintor, e animador cultural, organiza também, ainda na área da BD, exposições dedicadas a autores e personagens de banda desenhada, quando coincidentes com efemérides.

É o caso da que tem por fulcro Batman, que está patente ao público até ao próximo dia 30 do corrente mês de Novembro (*), no IPDJ - Instituto Português do Desporto e Juventude - Direcção Regional de Viseu, na Rua Doutor Aristides de Sousa Mendes.
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(*) A inauguração deste evento, no dia 3 de Novembro, foi bem divulgado na blogosfera. 
A opção do presente bloguista foi diferente, ou seja, preferiu aguardar pela proximidade do fim da exposição para chamar a atenção do público visitante deste blogue para o facto de ainda ter alguns dias para a visitar.
 
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BATMAN 

Síntese biográfica de um herói de BD

Um super-herói de BD sem super-poderes poderia ser algo de improvável, se Bob Kane e Bill Finger, desenhador e argumentista, respectivamente, não tivessem criado Batman, há setenta e cinco anos.

De facto, em Maio de 1939, no nº 27 da revista Detective Comics, surgia uma personagem, um ser humano normal, chamado Bruce Wayne. Sem super-poderes, portanto, mas dotado de inteligência invulgar e físico poderoso, que irá por ao serviço da sua missão primeira: vingar a morte de seus pais, de que foi testemunha quando era criança.

Assim,  a noite da megalópole Gotham City passou a ser o tempo e o local em que o jovem milionário, usando uma capa semelhante a asas de morcego e com o rosto tapado por uma máscara, persegue criminosos com o fito de erradicar a criminalidade.

Embora inicialmente actuasse sozinho, em breve passou a ter um pupilo de nome Dick Grayson, também órfão, que passou a ser conhecido por Robin.

Para uma série com tal duração - 75 anos! -, é compreensível que a lista de autores que nela têm colaborado já seja bem extensa. Não será curial nomeá-los todos, mas seria injusto não citar, entre os argumentistas, Bill Finger (o criador ficcional), Gardner Fox, Jack Schiff, Bill Woolfolk, Otto Binder, e... Frank Miller.

Quanto aos desenhadores, após o criador Bob Kane, segue-se-lhe, cronologicamente e não só, o seu assistente Jerry Robinson (*) que deu grande dimensão ao vilão Joker (Jolly Joker) - um dos vários carismáticos vilões criados ao longo das enumeráveis aventuras, casos de Penguin, Clayface, Riddler, Scarecrow, o par inconfundível de Tweedledee e Tweedledun, e a atraente Catwoman, que viria a apaixonar-se por Batman.

Em 1964, o editor Julius Schwartz, e os autores/ilustradores Carmine Infantino e Murphy Anderson resolveram modificar o visual do Homem-Morcego, além de, com eles, as aventuras terem enveredado por um cariz mais decididamente policial.

Pelos anos 1970, alguns autores - designadamente Ross Andru, Frank Robbins, Neal Adams, Jim Aparo, Irv Novick, Walt Simonson - criaram novas facetas estéticas e mesmo ficcionais.

Atraídos pela personagem, outros argumentistas/escritores e autores/desenhadores foram participando na sua concepção, criando diferentes tipos de enredos e variando o conceito cromático e estilístico. Entre os primeiros destacam-se Jim Starlin e Alan Moore, sobressaindo nos segundos os nomes de John Byrne, Gene Colan, Berni Wrightson e Frank Miller.

Principalmente este último, na dupla função de argumentista e desenhador, consegue um êxito imenso com a série "The Dark Knight Returns". Em 1988, Miller assume-se apenas como argumentista, entregando a David Mazuchelli a componente gráfica na obra "Batman - Year One".

Nesse mesmo ano, o extraordinário criativo Brian Bolland desenha "The Killing Joke" sob argumento de Alan Moore, enquanto que Berni Wrightson (desenho) e Jim Starlin (argumento) criam a obra "The Cult".

É óbvio que, a partir de Frank Miller, Batman passa a ser concebido tendo como alvo principal um público com elevado nível mental e intelectual. Continua a ser, fundamentalmente, um justiceiro, mas cada vez mais envolvido em violência, numa faceta até algo ambígua, abrangendo ostensivamente uma problemática direccionada para apreciadores social e culturalmente diferenciados, que já nada tem a ver com o público juvenil para o qual o herói de "comic books" tinha sido concebido no início.

Também a recorrente utilização de Batman no universo cinematográfico tem contribuído para a consolidação da personagem como uma das mais marcantes na área dos super-heróis, bem como na história da BD em geral.

Fontes consultadas: 
- The World Encyclopedia of Comics, edited by Maurice Horn (Chelsea House Publishers, Philadelphia, USA)
- Dictionnaire Mondial de la Bande Dessinée, de Patrick Gaumer e Claude Moliterni (Larousse-Bordas, France)
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Os visitantes deste blogue que, por mera curiosidade, queiram ver os restantes quarenta e nove "posts" sobre exposições avulsas (ou seja, não inseridas em festivais BD), poderão fazê-lo clicando no item Exposições BD Avulsas visível no rodapé.

domingo, novembro 23, 2014

Bruxelas - Prédios e BD












Bruxelas,  como bem sabe quem a visitou ou lá viveu, é uma cidade que privilegia visivelmente a BD, ao nível urbano, pintando em especial nas empenas, e até nas fachadas de muitos edifícios, personagens e cenas de banda desenhada, transformando a capital belga numa espécie de álbum de BD em formato gigante.

Conheço um pouco da Bélgica - Bruxelas, Gand e Bruges - e houve duas coisas que me impressionaram bastante, enquanto apreciador da figuração narrativa: por um lado, os numerosos alfarrabistas (bouquinistes) e livrarias dedicadas em exclusivo à BD; por outro, essa muito peculiar tendência para a utilização de imagens de pranchas de séries populares com o fito de embelezar a cidade e levá-la a assumir-se como grande centro de BD. Apenas encontro essa mesma assunção em Angoulême, cidade francesa que acolhe o maior festival europeu de banda desenhada.

É difícil alguém munido de máquina fotográfica (pode bem ser um tablet) não sentir a pulsão de fotografar muitas daquelas imagens, algumas delas criando curiosos casos de trompe l'oeil.

O também fotógrafo amador Dr. João Fazenda - pai do ilustrador/autor de BD homónimo - teve a amabilidade de reenviar para o meu email umas tantas que alguém lhe tinha enviado, de outros fotógrafos. Entre muitas mais, seleccionei as que embelezam o topo do post.

Para Eliseo Oliveras e Carlier Claude, os fotógrafos cujas fotos estão devidamente assinadas, uma vénia de agradecimento.

quarta-feira, novembro 19, 2014

Saramago em BD - A Viagem do Elefante







João Amaral é um autor de BD que gosta de transformar em imagens sequenciais, vulgo banda desenhada, grandes obras literárias. 

Depois de o ter feito com "A Voz dos Deuses", de João Aguiar, consolidou o gosto por este género de tarefas exigentes, e ei-lo que, após dois anos e meio de trabalho intenso, apresenta em adaptação à BD "A Viagem do Elefante", romance de José Saramago.

Em conversa com o casal João Amaral e Cristina Amaral, fiquei a saber que tinha sido ela que, após leitura do romance, aconselhou o marido a lê-lo também. Cristina é uma leitora compulsiva, conhece bem o marido, sabe que ele tem capacidade para se abalançar a este tipo de tarefas exigentes e muito trabalhosas. A reacção de João Amaral foi entusiástica ao longo da leitura do romance e, conforme me disse em conversa casual, as imagens começaram de imediato a formar-se na sua imaginação. 

Assim, sob o efeito ainda da leitura, lançou-se à concretização gráfica. 
Claro que a passagem para figuração narrativa de uma extensa obra literária por um único autor representa um trabalho imenso, estou a referir-me às várias e exigentes tarefas de adaptar para guião o texto original de José Saramago, que é o verdadeiro argumento; em seguida esboçar num layout cento e vinte pranchas, cada uma delas com várias vinhetas - veja-se a prancha aqui ao lado -, depois passá-las a tinta, em seguida fazer a legendagem, tanto as legendas didascálicas sob as vinhetas, como as que têm de ser inseridas dentro dos balões de fala. E, finalmente, colorir todas as pranchas (repito: cento e vinte!), ou seja, fazer a arte final.

Após todo este trabalho ecléctico - uma banda desenhada, quando feita por um único autor, exige que ele seja polivalente, o que é o caso de João Amaral -, teve ainda o trabalho de capista, isto é, fazer uma ilustração para a capa, e só então deu por terminada a obra, que demorou a realizar, como acima já ficou dito, cerca de dois anos e meio, numa média de oito horas de trabalho por dia, considerando o pormenor de que houve pranchas que levaram uma semana a fazer (quanto tempo terá levado José Saramago a escrever o romance?).

"A Viagem do Elefante" em BD está enfim pronta, e será posta à venda no próximo dia 21 do corrente mês de Novembro em todas as livrarias do país.

Quanto ao lançamento oficial, está previsto para mais tarde, em data e local a divulgar em devido tempo.
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JOÃO AMARAL

Biobibliografia

 

João Carlos Saraiva Amaral, Lisboa, Novembro de 1966. Frequentou o 2ºano do Curso de Gestão de Empresas do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa - ISCTE, e possui um curso de Design Gráfico assistido por computador.                             

A sua entrada na banda desenhada, em 1994, foi pela porta grande, como inferirá do título do seu primeiro álbum, A Voz dos Deuses, quem tiver lido o romance homónimo de João Aguiar, base para a adaptação literária realizada por Rui Carlos Cunha..

Cinco anos depois colabora na revista Selecções BD (2ª série) com a banda desenhada a preto e branco, Quid Novi in Imperium? - Que Há de Novo no Império?, dividida em dois capítulos, intitulando-se o primeiro O Fim Coroa a Obra, e Dias de Cólera o segundo, publicados naquela revista em Agosto de 1999 e Junho de 2000, respectivamente.

Meses mais tarde, nessa mesma 2ª série de Selecções BD, entre Dezembro de 2000 e Fevereiro de 2001, foi publicada outra obra sua, tal como a anterior também a preto e branco, intitulada O Fim da Linha, para cujo argumento João Amaral se baseou num antigo filme, protagonizado por Gary Cooper e Grace Kelly, "O Comboio Apitou Três Vezes", um "western", mas localizando a acção da banda desenhada numa vila portuguesa .

Missão Quase Impossível é o título do episódio que realizou em sete pranchas, sob argumento de Jorge Magalhães, para a obra homenageante Vasco Granja - Uma Vida... 1000 Imagens, editada em Maio de 2003.

Em 2006 volta a ser editado em álbum, dessa vez com A História de Manteigas no Coração da Estrela.

Foi-lhe publicada mensalmente, a partir de Abril de 2006, a bd O Gui, a Nô... e os Outros, a preto e branco, no jornal paroquiano A Cruz Alta, da igreja de Sintra. João Amaral usou o pseudónimo "Joca", e a banda desenhada teve argumento de Isabel Afonso, que assinava como "Gui", tendo terminado em Outubro de 2008.

Posteriormente, já no seu blogue http://joaocamaral.blogspot.com 

criou, desta vez "a solo", em tiras, a 24 de Dezembro de 2010, outra série aparentemente infantil, intitulada "Fred & Companhia", mas de vincado carácter crítico e satírico, que também está visível numa importante rede social, no endereço http://facebook.com/fredecompanhia 

No seu blogue, o dinâmico autor tem reproduzido bandas desenhadas inicialmente publicadas na revista Selecções BD, que aparecem igualmente no jornal Alentejo Popular, na rubrica "Através da Banda Desenhada" (sob coordenação de Armando Corrêa/Luiz Beira), onde já foi reproduzida a bd Ok Corral (com argumento de Jorge Magalhães), em 2008.

Antes, em Fevereiro de 2007, realizara numa só prancha o episódio Sonhos para a obra colectiva "Príncipe Valente no século XXI", publicada no fanzine Efeméride (nº2).
 

Quid Novi in Imperium? - Que Há de Novo no Império?, banda desenhada de grande fôlego, que teve início nas Selecções BD, com os dois primeiros episódios, e que ficou incompleta por desaparecimento daquela revista, tem tido continuidade na blogosfera, com o seguinte alinhamento:
"Acabou a Representação", 3º episódio (10 pranchas), em 11 de Janeiro de 2010
"Ao Homem!" 4º episódio (12 pranchas), em 19 e 20 de Janeiro de 2010
"O Dente do Lobo" (9 pranchas), em 4, 5, 6 e 7 de Maio de 2010, sendo que este último episódio foi igualmente publicado no citado jornal Alentejo Popular em 2012.   

Ao nível mais elevado de edição da BD, ou seja, na publicação em álbum, este prolífico autor tem também as seguintes obras: Bernardo Santareno (2006), História de Fornos de Algodres (2008), Cinzas da Revolta (2012) e A Viagem do Elefante (2014).


Excepto Cinzas da Revolta, excepcionalmente assinada por um pseudónimo, Jhion, e feita sob argumento de Miguel Peres, todas as restantes obras publicadas em álbum são de sua completa autoria.

João Amaral foi o Convidado Especial da Tertúlia BD de Lisboa em Maio de 1999.      

                                                              Geraldes Lino
Foto de Cristina Amaral 
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