quinta-feira, junho 27, 2013

Escola e BD - Livros Escolares com BD (I) - A Odisseia, por Rodrigues Neves









A banda desenhada baseia-se em duas componentes, o texto literário ou argumento, complementado pela sua concretização em imagens sequenciais, formando assim a figuração narrativa, ou banda desenhada, que vale por si própria enquanto expressão literário-artística autónoma. 

Mas a verdade é que a BD tem sido usada, com alguma frequência, como forma subsidiária ou suporte de outras formas de expressão, designadamente a literatura, adaptando obras literárias consagradas à forma desenhada sequencialmente.

É nesta faceta que a BD, funcionando como suporte visual, tem sido aproveitada nos manuais escolares, desde longa data - digamos que desde os anos de 1950, a meio do século passado -, como é o caso do livro "Mar Alto - Volume I", dirigido por Virgílio Couto.

Neste livro de leituras várias - contos, poesias, histórias tradicionais - incluem-se várias obras literárias adaptadas à BD.

Para iniciar esta nova rubrica (ou etiqueta, como quer a nomenclatura bloguística), seleccionei a versão de A Odisseia feita por João de Barros, ilustrada sequencialmente por Rodrigues Neves, arquitecto e autor de BD já falecido.

Tomo a liberdade de reproduzir o texto com que é apresentada esta adaptação do poema épico de Homero a texto literário por João de Barros:

"Esta é a história gloriosa de Ulisses, o navegador das mil façanhas e ardis, o herói grego que - depois do cerco, tomada e incêndio de Tróia, cidade célebre da Ásia Menor - visitou as terras mais diversas, conheceu gentes estranhas, e enfeitiçou a alma de povos distantes. 
Num frágil navio, errou sobre as ondas incertas, cheio de angústia, transido de aflição, perseguido por monstros cruéis, abandonado de socorros.
Tudo venceu, afinal, mercê da inteligência, da audácia e, sobretudo, da sua clara e serena razão."  

sexta-feira, junho 21, 2013

Exposições BD avulsas (XXXVI)





É sabido que o acrónimo BDSM é definidor de actividades sexuais, com o significado de Bondage, Discipline, Sadism, Masochism.

Mas se as consoantes BD ficarem separadas de SM, como sagazmente fez o comissário da exposição Traços BD[SM], já o título nos direcciona para um evento que inclui BD, mas também Ilustração, em que tanto as bandas desenhadas como as ilustrações que o compõem são de cariz erótico-porno-sado-maso.

Ou seja: está-se em presença de temas - erotismo, pornografia, sadismo e masoquismo - praticamente tabus em Portugal nas mostras públicas de BD. Embora haja à venda entre nós obras de alguns dos autores representados, designadamente Eric Stanton, George Pichard e Guido Crepax.

Além dos três anteriormente citados, aqui ficam os nomes dos restantes autores com reproduções (são cerca de 70 cópias digitais) patentes na exposição: Erenisch, Fernando, Gary Roberts, John Willie, Robert Bishop, Sardax, Shiniez.

Esta inesperada exposição de BD e Ilustração (e aproveito para dizer que está com excelente aspecto, e a selecção de pranchas tem assinalável critério), inserida no evento Lisbon Fetish 2013 - com co-organização de CSS-ConSenSual e Fabrice Ziegler, este em representação da Fábrica Braço de Prata -, está montada na Sala Wittgenstein, no piso superior da Fábrica Braço de Prata (Rua da Fábrica de Material de Guerra, nº1 - Lisboa), e estará visitável, com entradas grátis, até 30 deste mês de Junho de 2013 (foi inaugurada em 30 de Maio).

Horário da exposição: 
4ª e 5ª feira- das 20h00 às 02h00
6ª e Sábado - das 20h00 às 04h00

Mais pormenores em:
www.lisbonfetishweekend.com

Imagens que ilustram o "post":

1. Cartaz da expo com pormenor de bd da autoria de John Willie
2. Prancha de Crepax
3. Prancha de Pichard
4. Prancha de Gary Roberts
5. Prancha (de formato invulgar) de Shiniez
6. Cartaz do evento geral, da autoria de"The Black Sheep Group"

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Os visitantes deste blogue que, por mera curiosidade, queiram ver os restantes trinta e cinco "posts" sobre exposições, poderão fazê-lo clicando no item Exposições BD avulsas visível no rodapé.

segunda-feira, junho 17, 2013

Coleccionadores e Colecções de BD (IX) - Raul Ribeiro



















Para quem tiver curiosidade em seguir este conjunto de entrevistas a coleccionadores de banda desenhada, alerto para o facto de se tratar de pessoas que na década de 1980 - época em que as entrevistei - eram todas bem conhecidas nos meios afectos à BD.

Mas, hoje em dia, os nomes de algumas dessas pessoas nada dirão aos bedéfilos mais novos. É o caso de Raul Ribeiro, coleccionador em foco desta vez na presente rubrica, por onde já passaram nomes bem importantes no coleccionismo e estudo da BD, nomeadamente A.J.Ferreira, António Dias de Deus, Vasco Granja e Carlos Gonçalves.

Passo a reproduzir a entrevista com Raul Ribeiro, na íntegra, tal como foi publicada na revista Coleccionando (Nº 1 - 2ª Série - Novembro de 1985).
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Na Feira da Ladra, no meio do chão com coleccionadores a rondarem

- eis como Raul Ribeiro obteve uma raridade da BD

Raul Gomes Ribeiro é, entre os aficionados da BD, um dos mais conhecidos coleccionadores. 

Nascido em Castelo Branco, a 22-10-1946, possui como habilitações literárias o Curso Geral de Comércio. Exerce, há bastantes anos, a profissão de funcionário bancário, tendo atingido uma confortável posição na importante instituição onde trabalha.

Activo participante em torneios de problemas policiários, em que tem obtido classificações de destaque, é também autor de problemas deste tipo. No que se refere à banda desenhada, ele foi, desde muito cedo, um entusiasta. 

Além de leitor e coleccionador, tem sido destacado concorrente de testes sobre BD, além de ser autor de diversos textos espalhados por publicações e rubricas especializadas.

O seu nome apareceu a assinar artigos de estudonas revistas "Selecções Mistério", "XYZ Magazine", "Mundo de Aventuras", nos suplementos "Banda Desenhada" (do extinto semanário "O País"), e "Correio da Banda Desenhada" ("Correio da Manhã").

Este é, a traços largos, Raul Ribeiro. Vejamos agora, em pormenor, a sua faceta de coleccionador nesta especialidade.

- Raul Ribeiro: quando começaste a coleccionar revistas de banda desenhada?

- Foi há cerca de trinta anos, quando uma familiar minha, que trabalhava na Editorial Fomento de Publicações, Lda., me ofereceu as colecções completas das revistas "Titã", "Flecha", e os respectivos álbuns.
É evidente que essas e outras colecções se perderam na voragem do tempo, com trocas e empréstimos.
Há cerca de oito anos recomecei a coleccionar, desta vez a sério e, de então para cá, já comprei muitos milhares de revistas.

- O CPBD tem exactamente oito anos de existência. Há alguma relação entre esta coincidência de datas?

- Há. Como sabes, eu sou sócio-fundador do CPBD. Na altura em que o clube se fundou, em 1976, eu já tinha recuperado muitos exemplares de revistas que tinha possuído em tempos.
Mas não estava ainda metido a fundo nessa recuperação, sempre difícil e morosa. O contacto com alguns sócios do CPBD, grandes coleccionadores, deu-me um grande alento, e voltei a entusiasmar-me profundamente.

- Quais as colecções que tens completas?

- São muitas, mas acho que só vale a pena referir as mais importantes: "O Mosquito", "Condor Mensal", "Mundo de Aventuras", "Diabrete", "Cavaleiro Andante", "Álbuns do Cavaleiro Andante", "Zorro", "Tintin", "Titã", "Flecha".

- E estrangeiras?

- Não colecciono revistas estrangeiras.  

- Porquê?

- O meu parco conhecimento de línguas não me permite ler, com facilidade, revistas francesas ou americanas. E não me interessa acumular revistas, se não puder ter o gozo de as ler. Só ver os desenhos não é suficiente para mim.

- Mas há revistas espanholas de BD muito boas. E não é difícil ler castelhano.

- Sim, de facto já seria mais fácil. Mas são caras e, além disso, não tenho espaço. Já estiveste em minha casa, e viste bem que está tudo cheio.
Por isso optei por coleccionar apenas revistas portuguesas. E só a partir de "O Mosquito" para cá. Tanto assim é, que já vendi a colecção quase completa do "Tic-Tac" - duzentos e tal números - a outro coleccionador, exactamente porque essa publicação é anterior ao "Mosquito".

- Entre as colecções que possuis, quais as que consideras mais valiosas quanto à raridade?

- "Mosquito", "Mundo de Aventuras", "Titã" e "Condor Popular".

- E quanto ao conteúdo?

- "Cavaleiro Andante" e "Tintin".

- E no que se refere a ambos os aspectos - valor quanto à raridade e conteúdo?

- "Diabrete".

- Qual é a revista mais antiga que possuis?

- O nº1 do "Mosquito", editado em Janeiro de 1936.

- Qual a colecção que te deu, ou está a dar ainda, maior dificuldade em completar?

- A "Condor Popular".

- Estás neste momento a coleccionar alguma revista portuguesa de BD?

- Estou a coleccionar três: "Mundo de Aventuras", "Jornal da BD" e "Mosquito", que são, lamentavelmente, as únicas em publicação que têm alguma qualidade.

- Tens alguma recordação ligada a qualquer das revistas que possuis?

- Nada de especial que mereça referência. 

- Terá havido na tua infância ou adolescência - até te pode ter acontecido recentemente - uma fase em que, em determinado dia da semana, ias à rua comprar uma revista de BD que estivesses a coleccionar. Ocorre-te algo (acontecimentos, sensações) ligados a essa fase?

- Ainda recentemente, e antes do "Mundo de Aventuras" entrar na fase de declínio, eu esperava ansiosamente a 5ª feira para o comprar. 

- Qual o preço mais elevado que pagaste por uma peça da tua colecção?

- Paguei vários "Mosquitos" a 200$00 há já dois ou três anos, o que equivalia a uma refeição completa num restaurante de média categoria.

- Colecionas álbuns de BD? Qual o critério que segues?

- Colecciono, mas sem qualquer critério; ou melhor, o meu critério é o de comprar tudo o que seja editado em Portugal, desde que tenha qualidade.

- Coleccionas mais alguma coisa?

- Selos e moedas, livros policiais e de ficção científica. Mas sem a paixão com que colecciono BD.

- A que atribuis essa paixão especialmente dedicada à BD?

- Talvez se deva ao facto de o meu pai ter trabalhado numa tipografia, o que me levou, desde muito jovem, a estar em contacto com livros e revistas. Por outro lado, o meu pai também escrevia uns versozinhos, e isso fez com que eu me empenhasse mais em tudo o que se realciona com a leitura.

- Conta-nos um episódio pitoresco da tua actividade de coleccionador de BD.

- Este, por exemplo: Eu costumo ir todos os sábados de manhã cedinho - aí por volta das 7 horas - à Feira da Ladra. Um dia, isto há cerca de quatro meses, excepcionalmente cheguei mais tarde, por volta das nove horas. Foi exactamente nesse dia que comprei a que considero a peça mais valiosa da minha colecção: o PONTO NEGRO, CAVALEIRO ANDANTE, um pequeno álbum da família do "Mosquito", pois pertencia à mesma editora.
No local onde encontrei essa publicação rara, que estava no meio do chão misturada com outras revistas, mas bem à vista, já tinham estado mais coleccionadores, por exemplo o Bretes e o Varandas, entre outros de que desconheço o nome. 
Foi realmente um golpe de sorte.

- Deve ter sido cara, essa peça...

- O vendedor queria dez escudos e eu, por hábito, ainda regateei. Acabei por comprá-la por cinco escudos! Foi uma pechincha inacreditável. 

- Sei que um dia houve em tua casa um episódio de que foi potagonista a tua filha. Gostaria que o contasses em pormenor, masnão sei se o queres antes incluir nas recordações tristes...

- Bem, atendendo a que foi passado com uma criança, prefiro que o incluas na parte a que se refere a casos pitorescos, embora entre aspas.
Esse episódio a que te referes teve como intervenientes a minha filha Guida, que tinha nessa altura cerca de um ano, e o meu sobrinho Paulo Jorge, da mesma idade. 
Quando começaram a andar, a primeira grande obra que fizeram foi entreterem-se a rasgar, a um e um, quase completamente a minha colecção do "Zorro". Fui encontrá-los, todos satisfeitos, nessa "tarefa", no momento em que estavam a arrancar as folhas do meio, onde aparecia o Tintin, pelo qual mostravam especial "predilecção"...
Acrescento que esses pequenos vândalos são hoje apaixonados apreciadores de Banda Desenhada.

- Conta lá agora as recordações que consideras tristes, relacionadas com as tuas colecções de BD.

- Recordações tristes relacionadas com as minhas colecções tenho várias, mas que apenas têm a ver comprocedimentos menos correctos assumidos por outros coleccionadores.
Por exemplo, já me aconteceu com um coleccionador, que considero amigo, o seguinte: combinei com ele ficar-lhe com uma das colecções que ele tem em excedente - o "Pirilim" e o "Faísca" - e que estava interessado em vender. 
Quando lhe telefonei, como tínhamos combinado, para marcarmos um encontro, mandou a esposa responder-me que estava adoentado, mas comprometeu-se a telefonar-me depois.
Nunca mais me disse nada, e posso supor, sem grandes hipóteses de erro, que ele já mudou de ideias. O que me magoa, neste caso, é a falta de limpidez deste tipo de atitudes, para além da falta de elegância, especialmente entre pessoas que mantêm, há anos, relações de amizade.
Como curiosidade, acrescento que o coleccionador com quem se passou esse episódio é o mesmo a quem eu cedi a tal colecção quase completa do "Tic-Tac".
Outro caso aborrecido foi o que se passou com um volume da "Colecção Aventuras". O Ernesto Assis tinha-se comprometido a ceder-mo; um dia, quandolhe perguntei pelo volume, disse-me que o tinha trocado contigo por um volume encadernado do "Diabrete" (formato grande).

- Foi exactamente assim. Por acaso o Assis acabou por vender esse volume do "Diabrete" ao Jaime das Escadinhas do Duque, por quinhentos escudos. Mais tarde tornou a comprá-lo por um conto e quinhentos! Negócios à Assis...
Em relação ao tal compromisso que ele teria contigo, eu desconhecia-oem absoluto, como ficou esclarecido na altura.

- É verdade. Entretanto o Assis acabou por recuperar o volume do "Diabrete"; eu é que nunca mais consegui o tal volume do "Aventuras". A propósito: queres-mo vender? Dou-te cinco contos. 

- A parte de "negócios" fica para depois. Mas desde já te digo que não estou interessado em desfazer-me dessa peça. 
Responde-me agora à última pergunta deste questionário/entrevista: Na tua opinião, qual a influência, para a BD, que pode resultar da actividade dos coleccionadores?

- Acho que a actividade dos coleccionadores tem uma influência extremamente benéfica,  já que vai recuperar revistas que, de outra forma, acabariam por se perder irremediavelmente.
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Imagens que ilustram o "post":

1. "O Mundo de Aventuras" - Capa do nº 2, de 25 de Agosto (5ª feira) de 1949
2. "Álbum do Cavaleiro Andante" - Capa do nº 55, de Dezembro de 1958
3. "Flecha" - capa do nº 2, de 4 de Novembro de 1954
4. "Zorro" - capa do nº 58, de 16 de Novembro de 1963
5. "Condor Popular" - capa do nº4 - Volume 25 - (sem data indicada)
6. "Titã" - capa do nº 11 (da autoria de Hal Foster. Atenção Manuel Caldas: conhecias esta capa?) de 21 de Dezembro de 1954
7 e 8 - Páginas da revista "Coleccionando" onde está publicada a entrevista.
9 - Capa da revista "Coleccionando" - Nº 1 - 2ª Série - Novembro de 1985
10 - Retrato do coleccionador Raul Ribeiro                      
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Os visitantes interessados em ver os oito artigos anteriores poderão fazê-lo, clicando no item Coleccionadores e Colecções de BD visível no rodapé     

sábado, junho 15, 2013

Improvisos na Toalha de Mesa (XVII)




Quase que não dá para acreditar que aquela figura tão perfeita do Homem-Aranha resultou de um desenho improvisado por Pedro Cruz numa toalha de mesa, no decorrer da Tertúlia BD de Lisboa.

Claro que o ajudou o facto de recentemente ter criado uma banda desenhada com aquele "aracnídeo" para um dos episódios da obra colectiva "Heróis de BD no Século XXI", a incluir no nº 6 do fanzine Efeméride (em preparação).

Quanto ao outro improviso que fica reproduzido em segundo lugar, da autoria de Filipe Duarte, demonstra igualmente, na sua concretização, evidente cuidado, exceptuando as bem visíveis nódoas de vinho, sinais evidentes de uma bem regada refeição... 

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Para o caso de alguém querer ver outras ilustrações improvisadas reproduzidas nos 16 "posts" anteriores, poderá fazê-lo clicando sobre o item Improvisos na toalha de mesa, visível no rodapé   

sábado, junho 08, 2013

Política e BD (IV)






Os 7 Magníficos Pretendentes é o título desta improvável publicação, em formato de desdobrável, que inclui uma banda desenhada e um "poster" central de grandes dimensões (formato A2), preenchido por caricaturas, sendo todo este conteúdo de cariz político.

Tal raridade, editada em Lisboa por uma praticamente desconhecida editora, teve por autores Zé Manel, que desenhou, no seu estilo inconfundível, e António Gomes de Almeida, que escreveu o argumento.

Os protagonistas, embora caricaturados, são perfeitamente reconhecíveis por quem esteja acima dos cinquenta anos (ou seja, esta bd é para maiores de 50 :-)
Trata-se de figuras com grande destaque político naqueles anos seguintes ao 25 de Abril de 1974, entre os quais vários militares - generais Ramalho Eanes, Soares Carneiro e Galvão de Melo, brigadeiro Pires Veloso (tio de Rui Veloso), Otelo Saraiva de Carvalho - e alguns políticos ligados a partidos, nomeadamente Álvaro Cunhal (PCP), Carlos Brito (PCP), Freitas do Amaral (CDS) e Sá Carneiro (PPD). 
E pela leitura de sete destes nomes se percebe que o título "Os 7 Magníficos Pretendentes" não era inocente: referia-se exactamente aos sete candidatos que, na época, aspiravam à Presidência da República. 

É por isso que a banda desenhada em três páginas (reproduzidas no topo do presente "post") mostra, em tom de sátira, todas aquelas personalidades a cortejarem uma apetitosa Miss Bethlém, que vive no seu "rancho" cor de rosa, uma metáfora bem evidente.

E no fim, na última vinheta, lá aparece a figura do simbólico Zé Povinho, numa atitude de expectativa, claramente retratada na frase que se pode ler no balão-fala: "Eu, como de costume, fico a ver no que dará esta cowboiada!..."

Trinta e três anos depois da data em que foi concretizada esta bd, a frase do Zé apenas implicaria hoje uma pequena diferença:  em vez de dizer "cowboiada", ele talvez antes dissesse "troikada"...  

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Ficha técnica
Título da publicação/desdobrável: "Os 7 Magníficos Pretendentes"
Capa (reproduzida em último lugar) e três páginas em formato A4 (reproduzidas no topo do "post"), transformadas num desdobrável em formato A2 (visível entre as três páginas da banda desenhada e a capa).
Preço: 25$00 (*)
Data da edição: 7 de Dezembro de 1980
Número único
Editora: Grafitécnica - Lisboa
Distribuição: Agência Portuguesa de Revistas - Rua Saraiva de Carvalho, 207 - Lisboa
(*) Preço apenas compreensível por maiores de 18 anos...
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Os visitantes interessados em ver as anteriores três postagens poderão fazê-lo clicando no item Política e BD, incluído em rodapé 

quarta-feira, junho 05, 2013

Comic Jam - (1ª Fase - nº 53)


Mais um "comic jam" - ou "cadáver esquisito", em português erudito - realizado durante o 348º encontro da Tertúlia BD de Lisboa, em de 4 de Junho.

Nele se prova que seis autores de BD - João Lameiras, o Convidado Especial, é um argumentista, ou seja, também é autor de banda desenhada -, sentados em locais diferentes do restaurante onde sempre decorre o convívio bedéfilo -, podem concretizar uma história muito simples, com limitado nexo, é certo, mas ainda assim suficiente para ser lida/vista com um sorriso cúmplice.

Por associação de ideias: aqui ficam os nomes dos seis cúmplices (aliás, sete) autores da brincadeira gráfica deste mês:

1. João Lameiras (Autor do desenho, com arte-final de João Maio Pinto)
2. João Maio Pinto
3. J.Mascarenhas
4. João Amaral 
5. Álvaro
6. Pedro Cruz

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Os visitantes interessados em verem os 53 "posts" anteriores deste tema, poderão fazê-lo com um simples clique no item Comic Jam visível no rodapé
                                         

segunda-feira, junho 03, 2013

Tertúlia BD de Lisboa - Ciclo: Blógueres da Blogosfera BD




Continuando o ciclo indicado em epígrafe, estará presente, dia 4 de Junho, na Tertúlia BD de Lisboa, João Miguel Lameiras, editor, coordenador e redactor de um blogue dedicado à banda desenhada, o "Por Um Punhado de Imagens", que iniciou em Outubro de 2009.


Também autor de BD enquanto argumentista, teve a sua primeira experiência fazendo, em co-autoria com o ilustrador Fernando Correia, a banda desenhada "Nasce Selvagem"


João Lameiras tem já continuada carreira docente nesta área, e é co-proprietário de uma livraria especializada em BD, a Dr. Kartoon, sita em Coimbra.



 À direita:
 Prancha da bd "Nasce Selvagem", feita em 1993, em colaboração com o desenhador (actualmente ilustrador científico) Fernando Correia










 


        À esquerda:
        Caricatura de João Miguel Lameiras
        Autoria: Fernando Relvas


Em cima: 
Programa sempre distribuído na tertúlia, com uma síntese biográfica do Convidado Especial deste mês.

Aqui fica o endereço do blogue de João Lameiras:
porumpunhadodeimagens.blogspot.pt
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LAMEIRAS, João Miguel

Autobiografia

Nasci em Coimbra, a 13 de Setembro de 1966 e sou licenciado em História da Arte pela Universidade de Coimbra, e Mestre em História da Arte Moderna pela mesma Universidade. 
O meu interesse pela Banda Desenhada vem desde a infância, mas só comecei a escrever sobre Banda Desenhada em finais da década de 80, no saudoso fanzine Nemo, superiormente dirigido por Manuel Caldas, onde, para além de mim, se estrearam na crítica de Banda Desenhada, o Domingos Isabelinho e o João Ramalho Santos.

Desde 1994 que asseguro uma coluna semanal sobre Banda Desenhada no Diário As Beiras, tendo, para além disso, colaborado nas revistas Selecções BD (II série), Quadrado, Bang! (da editora Saída de Emergência) e na revista Biblioteca da C.M.L, para além do BD Jornal, de que sou colaborador desde o nº 1 e do jornal Público, onde comecei a colaborar em 2012, com textos sobre a coleção da Marvel, que o jornal distribuiu o ano passado. E a minha actividade como crítico de BD, para além da parte material teve também o devido reconhecimento institucional, pois obtive através dos meus textos, o Prémio de Imprensa do Festival Internacional de BD da Amadora nos anos de 1996, 1997, 1998 e 2000.
Fui também responsável, entre 1990 e 2002, do programa de rádio sobre BD, Balada do Mar Salgado, na Rádio Universidade de Coimbra, criado com o João Ramalho Santos e o saudoso Olímpio Ferreira e mais tarde prosseguido a solo. Para além da rádio e dos textos para a imprensa, a minha actividade no campo da BD, passou também pela minha colaboração com a Devir onde, enquanto conselheiro editorial, consegui que a editora descobrisse o trabalho de José Carlos Fernandes, que se tornou o principal autor português da Devir e, enquanto Director Editorial da revista Comix, editada pela Devir, tive a honra de publicar pela primeira vez em Portugal, o Sin City de Frank Miller, o Hellboy de Mike Mignola, o Sandman de Neil Gaiman e várias histórias curtas de Alan Moore.
A minha carreira enquanto argumentista é curta e, com a excepção de Nasce Selvagem uma história de 2 páginas desenhada por Fernando Correia em 1993, tem sido sempre feita em colaboração com o João Ramalho Santos.
  Juntos, escrevemos Crossroads e Revolução Interior: À Procura do 25 de Abril, dois livros ilustrados por José Carlos Fernandes; O Museu, uma história curta ilustrada por Miguel Rocha, publicada no jornal Público, em Novembro de 1999, integrada no Projecto 25 de Abril, 25 Anos, 25 BDs; Eden 2.0. ilustrado por Luís Louro, em que o criador desta Tertúlia tem uma participação especial e, aquele de que estou mais orgulhoso, As Cidades Visíveis. Um ensaio ficcionado sobre a série de BD Les Cités Obscures de Schuiten e Peeters, que foi co-editado pelas Edições Cotovia e pela Bedeteca de Lisboa, em Outubro de 1998. A nossa última actividade nessa área, foi Metamorfoses, em 2003, uma história curta desenhada por Etienne Schréder, que deveria ser parte de um álbum sobre Coimbra, que nunca passou do projecto.
A minha ligação à BD assumiu ainda outra vertente, quando em finais de 2006, juntamente com outros três sócios, decidimos prosseguir com a aventura da Livraria Dr. Kartoon, tentando fazer juz à herança da Fanny Denayer, uma belga a quem a BD em Portugal muito deve.
Actualmente, a todas essas actividades, junto também a de Professor, na Licenciatura de BD e Ilustração e no Mestrado de Ilustração da ESAP- Guimarães e no Mestrado de Ilustração e Animação, do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave, em Barcelos. Uma experiência que me está a dar algum trabalho, mas muito maior prazer.
Quanto ao motivo que originou esta minha segunda presença na Tertúlia BD como convidado, o blogue Por um Punhado de Imagens, nasceu em Outubro de 2009, como o espaço ideal para dar uma segunda vida e uma maior divulgação aos textos que fiz para os diferentes jornais e revistas e para falar sobre livros ou filmes que me motivaram uma reflexão. A minha ideia original de publicar, pelo menos, dois posts por semana, nem sempre tem sido cumprida, mas ainda assim consegui publicar mais de 250 posts ao longo destes quase 4 anos que, em média, são vistos diariamente por perto de 200 visitantes diários, excepto quando escrevo texto sobre o Milo Manara e o número de visitantes quase que decuplica...
Aos visitantes do meu blog e ao Lino, que me convidou para aqui estar mais uma vez, deixo aqui o meu agradecimento e a promessa de tentar actualizar o blog com uma maior regularidade.
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Neste encontro da Tertúlia BD de Lisboa haverá o lançamento do nº 0 de 
                                              Os Escudos da Lusitânia
                                     uma parceria entre a Verbos & Letras e o Grupo Entropia.


Desenho da capa da autoria de João Amaral, com grafismo de Ricardo Correia
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Lista de presenças neste 348º Encontro da TBDL

(Lista elaborada "a posteriori" e susceptível de ter faltas de nomes; por isso agradeço que quem notar alguma, envie comentário):


1. Adelina Menaia
2. Álvaro
3. AnaSaúde
4. António Isidro
5. Catarina Cruz 
6. Cristina Amaral
7. Filipe Duarte
8. Gabriel Martins
9. Geraldes Lino
10. Helder Jotta
11. Hugo Tiago
12. Inês Ramos
13. João Amaral
14. João Figueiredo
15.João Lameiras (Convidado Especial - 3º blóguer do ciclo "Blógueres de BD"
16. João Maio Pinto
17. João Paulo Sá-Chaves
18. João Vidigal 
19. José Pinto Carneiro
20. Manuel Valente
21. Moreno
22. Paula Garcia
23. Pedro Bouça
24. Pedro Cruz
25. Rui Domingues
26. Simões dos Santos
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