domingo, janeiro 30, 2011

Festivais, Salões BD e afins - (Angoulême) 38º Festival/2011- Premiados

Foi hoje que se soube quais os autores de banda desenhada galardoados e obras premiadas neste festival de Angouleme.
(Foto de Art Spiegelman a ilustrar o poste)
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GRANDE PRÉMIO DA CIDADE D'ANGOULÊME 2011
............. ART SPIEGELMAN
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FAUVE D'OR - PRÉMIO DO MELHOR ÁLBUM
............. Cinq mille quilometres par seconde, de Manuele Fior Editions Atrabile
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.FAUVE FNAC SNCF - PRÉMIO DO PÚBLICO
............ Le Bien est une couleur chaude, de Julie Maroh
Editions Glenat
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FAUVE D'ANGOULÊME - PRÉMIO ESPECIAL DO JÚRI
............ Asterios Polyp, de David Mazuchelli
Editions Casterman
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FAUVE D'ANGOULÊME - PRÉMIO DA SÉRIE
........ Il était une fois en France - tomo 4, Aux armes citoyens!, de Fabien Nury e Sylvain Vallee
Editions Glenat
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FAUVE D'ANGOULÊME - PRÉMIO REVELAÇÂO
Nota: Este prémio foi atribuído ex-aequo a duas obras:
.......... La parenthèse, de Elodie Durand
Editions Delcourt
......... Trop n'est pas assez, de Ulli Lust (*)
Editions Çà et là
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FAUVE D'ANGOULÊME - PRÉMIO OLHARES SOBRE O MUNDO
........ Gaza 1956, en marge de l'histoire, de Joe Sacco
Editions Futuropolis
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FAUVE D'ANGOULÊME - PRÉMIO DA AUDÁCIA
.......... Les noceurs, de Brecht Evens
Editions Actes Sud BD
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FAUVE D'ANGOULÊME - PRÉMIO INTERGERAÇÕES
....... Pluto, de Naoki Urasawa, segundo Osamu Tezuka
Editions Kana
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FAUVE D'ANGOULÊME - PRÉMIO DO PATRIMÓNIO
........... Bab-el-Mandeb, de Attilio Micheluzzi
Editions Mosquito
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FAUVE D'ANGOULÊME - PRÉMIO JUVENTUDE
............ Chronokids - tomo 3, de Zep, Stan e Vice
Editions Glenat
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FAUVE D'ANGOULÊME - PRÉMIO DA BANDA DESENHADA ALTERNATIVA
............ L'arbitraire, volume 9 (periódico editado em Lyon)
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PRÉMIO JOVENS TALENTOS
Primeiro premiado - Adrien Herda
Segundo premiado - Noemie Weber
Terceiro premiado - Antoine Maillard
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PRÉMIO JOVENS TALENTOS DA REGIÃO POITOU-CHARENTES
.......... Lei Fang , por La boutique de Wang
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CONCURSO "ANIME TON FAUVE"
Premiado: Julien Farto
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PRÉMIO BD DOS COLEGIAIS DE POITOU-CHARENTES
........... Kheti, fils du Nil, tomo 4 - Le Jugement d'Osiris, de Mazan e Dethan
Editions Delcourt
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PRÉMIO DAS ESCOLAS DE ANGOULÊME
............. L'ours Barnabe - Integral I, de Jean-Luc Coudray (La Boite a Bulles)
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CONCOURS REVELATION BLOG
Premiado: Le blog d'Aspirine
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(*) Trata-se de uma autora já publicada em Portugal, no fanzine Gambuzine, de Teresa Camara Pestana, conforme a própria confirmou em comentário a esta postagem.

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Festivais, Salões BD e afins - (Angoulême) 38º Festival/ 2011


Já na sua 38ª edição, o Festival International de la BD d'Angoulême é, inquestionavelmente, o maior evento europeu de banda desenhada.
Desde sempre que são apenas quatro dias, de quinta-feira a domingo - e as datas não variam muito de ano para ano, desta vez de 27 a 30 de Janeiro.

Um curto período de tempo, mas intenso, que obriga os visitantes a constantes movimentações, na tentativa de verem as exposições que mais lhes interessam, contactar com os autores da sua predilecção e deles obterem autógrafos e desenhos...
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Apenas em esboço, veja-se a amplitude e a variedade de solicitações nos diversos locais por onde se estende o evento:
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CHAMP-DE-MARS
Le monde des bulles
Onde estão as grandes editoras de BD europeias, americanas (comics), asiáticas (de mangá e manhwa).
E ainda dentro desta última especificidade, nota-se uma novidade: "MangAsie", que inclui conferências, "performances" gráficas, projecções
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PLACE NEW-YORK
Le nouveau monde
Espaço reservado aos editores independentes e aos fanzines, havendo também fóruns dedicados a esses temas.
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PLACE DES HALLES
Collectionneurs
Imagine-se uma portuguesíssima "feira da ladra", mas dentro de uma tenda extens]issima (dantes era numa casa antiga de dois andares), onde se agrupam dezenas de alfarrabistas ("bouquinistes") que apresentam revistas francesas e belgas antigas, álbuns dos anos sessenta e setenta, pranchas originais de desenhadores europeus e americanos, em qualquer dos casos material capaz de fazer perder a cabeça a todos os bedéfilos franceses, e mesmo a alguns portugueses apesar do seu menor poder de compra... É um local sempre a abarrotar!
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Agora há dois museus, tendo cada um deles o seu programa (obviamente). Assim:
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MUSEU DE ANGOULÊME
Planches et hiéroglyphes
Exposição de pranchas de obras dedicadas ao antigo Egipto, dos autores Isabelle Dethan, Mazan e Julien Maffre
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MUSÉE DE LA BD (este inclui-se no conjunto de edifícios que compõem a "Cité de la BD", e tem várias exposições. Falo aqui apenas de três)
1) Parodies: la BD au second degrée
Obras paródicas dedicadas a personagens e obras da banda desenhada, quer europeia quer americana (neste caso, aos super-heróis)
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2) Cent pour Cent - saison 2
Depois de ter havido, na edição de 2010, a exposição "Cent pour Cent", onde colaboraram os autores portugueses António Jorge Gonçalves, Filipe Abranches e Luís Henriques, que teve direito a um excepcional catálogo (mostrei as pranchas daquele trio lusitano e respectivas "pranchas musas" na postagem de Dez.28, 2010), volta à baila o tema, desta vez por homenagens realizadas exclusivamente por autores espanhóis e turcos aos autores de BD que lhes serviram de inspiração. Ainda poucas, todavia de qualidade a prometer uma interessante sequela.
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3) Nos guerres
David Benito, Laurent Boriaud e Patrice Cablat têm a autoria de dez episódios em que atacam o absurdo de todas as guerras

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Comentário "off the record"
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Houve tempos em que era minguada a presença de portugueses no evento, malgrado a sua projecção internacional.
De há alguns anos para cá tem havido um aumento notório de participantes (maioritariamente de Lisboa, também isto será por causa do tão atacado centralismo?) e o facto de ter havido casos de sucesso - nomeadamente Rui Lacas e Nelson Martins, ambos publicados por editoras francesas - terá incentivado a esperança a mais talentos lusitanos de conseguirem idêntico sucesso.
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Desta vez, o conjunto de portugueses englobava autores, editores, divulgadores e acompanhantes. Aqui fica uma lista feita a posteriori:
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1. Falcato (autor)
2. Hugo Teixeira (autor "mangaka"
3 e 4. João Amaral (autor e bloguista) e Cristina Amaral (acompanhante)
5. Jorge Ribeiro (bedéfilo e realizador de Cinema de Animação)
6. Lígia Macedo (Relações Internacionais do Festival BD Amadora)
7 e 8. Marcos Farrajota (autor, editor e bloguista) e Joana Pires (acompanhante)
9. Maria José Magalhães Pereira (Responsável editorial de BD da ASA/Leya)
10. Nelson Dona (Director do Festival BD da Amadora)
11 e 12. Nelson Martins (autor) e Catarina Gusmão (acompanhante)
13. Nuno Amado (bloguista) e Aida Teixeira
14. Nuno Duarte (autor e bloguista)
15 e 16. Pepedelrey (autor e editor) e Sandra Oliveira (acompanhante)
17. e o presente bloguista, também faneditor e escasso argumentista
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Total: 17 pessoas, um número significativo para o exíguo panorama português



domingo, janeiro 23, 2011

Comic Jam (27ª prancha)


Improvisar uma banda desenhada, por seis autores que se encontram a confraternizar na Tertúlia BD de Lisboa, é a iniciativa que se repete mensalmente, e que dá resultados assaz imprevisíveis. Aqui fica mais uma peça do género.

Realizada no 318º encontro da TBDL, a 4 Janeiro 2011, teve a participação dos seguintes autores:

1ª vinheta (ao alto, à esquerda) - Vasco Martins (o Convidado Especial)
2ª ......"..............(ao alto, à direita) - Álvaro
3ª ......" ............................................. - Falcato
4ª ......" ............................................. - Nuno Duarte "Outro Nuno"
5ª ......" ............................................. - Osvaldo Medina
6ª ......".............................................. - Pepedelrey

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Quem tiver curiosidade em ver os improvisos anteriores, bastar-lhe-á clicar sobre a etiqueta "Comic Jam", inscrita no rodapé.

terça-feira, janeiro 18, 2011

Exposições BD Avulsas (V) - Catálogos BD (I) - Catálogo da Exposição "Tinta nos Nervos"





































Se de uma exposição de banda desenhada não for editado catálogo, dela quase não restará memória para a posteridade.

O comissário da exposição de BD "Tinta nos Nervos", Pedro Vieira de Moura tem, com absoluta certeza, essa noção, e por isso o catálogo fez-se.

Fez-se, e reconheçamo-lo: com uma qualidade singular, como objecto gráfico e bem assim na sua função de preservar o registo do evento e respectivos participantes, reproduzindo algumas das pranchas de cada um dos autores/artistas expostos.

É de Filipe Abranches a composição que ilustra a página inicial (tal como aqui no presente poste), prancha pertencente à obra História de Lisboa, vol.2, que teve texto de suporte do professor A.H.Oliveira Marques.

Seguem-se reproduções de pranchas de BD ou pormenores das assinadas pelos restantes quarenta seleccionados, numa sequência que não segue o alinhamento da exposição, apenas respeitando a ordem alfabética dos apelidos dos autores, ou, de alguns deles, apenas o pseudónimo.

Vejamos, pois, como vão surgindo as amostras gráficas dos autores, à medida que se folheiam as páginas do catálogo:

Filipe Abranches, Isabel Baraona, Eduardo Batarda,
Bruno Borges, Carlos Botelho, Pedro "Burgos", Richard Câmara, Miguel Carneiro, Isabel Carvalho, Mauro Cerqueira,
Diniz Conefrey, Ana Cortesão, Marcos Farrajota, João Fazenda, José Carlos Fernandes, Alice Geirinhas,
António Jorge Gonçalves, Luís Henriques, "Janus",
"Jucifer" (Joana Figueiredo), André Lemos, Daniel Lima,
Isabel Lobinho, Tiago Manuel (através dos seus heterónimos "Max Tilmann", "Murai Toyonobu", "Terry Morgan" - em que as iniciais T e M do nome verdadeiro do autor estão sempre presentes...),
Marco Mendes, Victor (é assim o nome dele, e não Vítor como está no catálogo) Mesquita, Paulo Monteiro, Susa Monteiro,
Pedro Nora, "Pepedelrey", Teresa Câmara Pestana,
Carlos Pinheiro, Rafael Bordalo Pinheiro, João Maio Pinto, Miguel Rocha, Nuno Saraiva, Cátia Serrão, Nuno Sousa,
Maria João Worm, Pedro Zamith, Carlos Zíngaro.

Entremeando as imagens, como se fossem intervalos, surgem três ensaios sobre BD (*) escritos por Sara Figueiredo Costa, Domingos Isabelinho e Pedro Vieira de Moura.

A finalizar a bem planificada obra surgem biografias de todos os autores participantes, além das dos três ensaístas/críticos responsáveis pelos excelentes estudos que valorizam e completam o volume.

Uma curiosidade: como prefácio, na badana do livro, pode ler-se um texto assinado por José Berardo, Presidente Honorário - Fundação de Arte Moderna e Contemporânea - Colecção Berardo.

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Autoria das imagens visíveis no topo da postagem:

1. Barbara Says... (capa)
2. Filipe Abranches
3. Eduardo Batarda
4. Isabel Carvalho
5. Diniz Conefrey
6. Ana Cortesão
7. Marcos Farrajota
8. João Fazenda
9. José Carlos Fernandes
10. Alice Geirinhas
11. Janus
12. André Lemos
13. Marco Mendes
14. Victor Mesquita
15. Paulo Monteiro
16. Susa Monteiro
17. Pedro Nora
18. Pepedelrey
19. Teresa Câmara Pestana
20. Carlos Pinheiro
21. Rafael Bordalo Pinheiro
22. João Maio Pinto
23. Miguel Rocha
24. Maria João Worm
25. Pedro Zamith
26. Carlos Zíngaro
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(*) Não seria justo que na presente postagem apenas fossem mostradas imagens de algumas das bandas desenhadas reproduzidas no catálogo, também é pertinente que sejam divulgados excertos - dos textos, pelo menos, porque óptimo seria reproduzi-los totalmente - da autoria dos três ensaístas antes nomeados, em que se inclui o próprio comissário da exposição.

Diz Sara Figueiredo Costa:
"(...) Durante a década de 1990, a percepção da banda desenhada como uma linguagem destinada às leituras juvenis ou nostálgicas (quando não como um género, facto tão decorrente do desconhecimento como da limitação de registos editados) altera-se, ainda que ligeiramente, se atentarmos na herança que tal alteração deixou no que à percepção social diz respeito. O crescimento do mercado editorial , com o consequente aumento dos canais de distribuição e venda de livros, beneficiou a banda desenhada, permitindo que livros com registos mais experimentais encontrassem o seu espaço nas livrarias, agora atentas a outros modos de trabalhar a linguagem da banda desenhada. Por outro lado, os espaços de divulgação e exposição beneficiaram de uma evolução no que toca à diversidade, mantendo-se festivais como o da Amadora, onde a presença da banda desenhada de vocação receptiva mais massiva sempre marcou presença, acompanhada de exibições pontuais de trabalhos e autores exteriores ao mainstream franco-belga e norte-americano, mas surgindo outros, como o Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto e o Salão Lisboa de Ilustração e Banda Desenhada, fundamentais para a criação de um público que não se limitava aos fãs de banda desenhada, mas que se compunha igualmente por interessados pelas áreas da literatura, das artes visuais, do cinema de autor...
(...) No início deste século uma outra conjuntura se formou, alterando o panorama que se criara nos anos de 1990 e definindo um outro, bem diferente, marcado pela contenção económica e pela redução do volume de edição. O entusiasmo da década de 1990 em torno da edição criou uma ilusão que não correspondia, apesar de todas as melhorias apontadas, à realidade de um mercado pequeno, com livrarias pouco preparadas para definirem secções de banda desenhada que ultrapassassem a etiqueta do "infanto-juvenil" e com um espaço limitado na imprensa para a divulgação e a crítica de livros em geral. Por outro lado, talvez a ausência de uma preparação sólida para lidar com a gestão editorial e os condicionalismos do mercado do livro por parte de muitos editores (nem sempre com a experiência que um mercado como este exige num país cujo nível geral de leitura nunca foi muito elevado) tenha sido responsável por um entusiasmo que se saldou no estrangulamento do mercado, com o exíguo espaço disponível para a banda desenhada sufocado por centenas de títulos a sair ao mesmo tempo.
Perspectivas de futuro: a edição debanda desenhada no cenário da aldeia global
(...) As peculiaridades do mercado editorial e o acesso cada vez mais democrático às tecnologias da informação e da comunicação têm levado os autores portugueses a procurarem caminhos alternativos ao processo tradicional da edição. Em alguns casos, os mercados estrangeiros têm constituído um terreno fértil, tanto no plano comercial como no plano do intercâmbio artístico e da definição de espaços de publicação e divulgação. Os exemplos de autores que conseguiram encontrar o seu espaço na indústria dos comics americanos, muitas vezes integrando equipas amplas e com vários trabalhos a decorrerem em simultâneo, são significativas, e aí encontramos autores como João Lemos, Eliseu Gouveia ou Ana Freitas. Por outro lado, a facilidade em estabelecer contactos, trocas e parcerias com autores e projectos editoriais e artísticos de qualquer ponto do mundo tem aberto vias interessantes de colaboração, levando autores como André Lemos a publicar na Rússia (Mediaeval Spectres Soaked in Syrup, Pipe and Horse, 2010) ou em França (Some Dishonourable Creatures Attacked Us, Boom Books, 2010), ou Filipe Abranches a integrar uma antologia publicada em Espanha (Lanza en el Astillero, edição da Comunidade de Castilla La Mancha, 2006) (...) passando pela edição de Merci Patron, de Rui Lacas, em França (Paquet 2008), antes mesmo da edição portuguesa, ou pelo trabalho de Isabel Carvalho incluído no volume colectivo ...de ellas, publicado pelas Ediciones de Ponent (2006).
Também o acesso facilitado às tecnologias associadas à edição, sobretudo com o desenvolvimento da impressão digital e com a vulgarização de empresas que oferecem serviços que começam na pré-impressão e culminam na entrega do número de exemplares combinado à porta de casa do autor, autores sem espaço no mercado tradicional (e sem intenção de adaptarem a sua criação ao registo considerado "vendável" pelas editoras) têm editado o seu próprio trabalho, individualmente ou em plataformas colectivas. É esse o caso de artistas como André Lemos, Jucifer, Marco Mendes ou Miguel Carneiro, e de projectos como a Opuntia Books, A Mula ou a Chili Com Carne, bem como de editoras de pequena dimensão mas com um trabalho cuidadosamente gerido, como a Kingpin Books. (...)"
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Diz Domingos Isabelinho
"(...) Até há pouco tempo não existiam verdadeiramente historiadores de arte a trabalhar na área [da BD] (excepção feita a David Kunzle, que não chegou ao século XX na sua obra monumental) e muito poucos são os que existem hoje. A esmagadora maioria dos que realmente pretendiam fazer história vinham directamente do fandom e isso nota-se nos seus tiques de coleccionador (aquilo a que Renaud Chavanne chamou: "o complexo polaco"). É significativo, por exemplo, que estes autênticos historiadores-fãs nunca denunciem,quando referem o slapstick, a farsa e a sátira da primeira metade do século XX (ou mesmo mais recente), os laivos racistas e xenófobos (contra negros, asiáticos e irlandeses, principalmente) que se podem detectar facilmente neste tipo de banda desenhada. Idem para a aventura infantil maniqueísta, em que a forma é narratologicamente "formulaica" e linear, graficamente naturalista (sem abandonar as dominantes coloridas primárias e o desenho a tinta-da-china), a qual decorre, as mais das vezes, em locais exóticos em que os naturais (e os sidekicks dos heróis) são apresentados como subalternos (quando não de inteligência inferior).
Estas verdadeiras apologias da violência e do colonialismo são, para além disso, e como se não bastasse, extremamente misóginas pois as jovens e eternas namoradas dos heróis são apresentadas como seres passivos constantemente a necessitar de resgate (quando não brilham pela sua quase total ausência, como no caso da banda desenhada franco-belga da primeira metade do século XX).
(...) Mesmo que encaremos a banda desenhada de forma restrita, há mudanças de rumo, inflexões, revoluções, evoluções. Os primeiros sinais de mudança surgiram nos anos de 1960 com o chamado movimento underground. A contracultura desses anos trouxe uma ruptura com a indústria da banda desenhada. O movimento underground norte-americano introduziu temas "adultos" (o consumo de droga, o sexo), mas continuou a obedecer a estéticas industriais. O nome do underground mais importante a reter é, sem dúvida, o de Robert Crumb (o qual é tão fiel à sua condição de fã dos bonecos dos jornais e da Disney que, junto com a sua iconoclastia, herda o racismo e a misoginia referidos acima, embora se possa também argumentar que o olhar de Crumb é pós-moderno e irónico). Pessoalmente, no entanto, creio que a obra autobiográfica de Justin Green, Binky Brown Meets the Holy Virgin Mary (um ensaio sobre o complexo de culpa provocado por uma educação católica estrita), é a mais interessante e influente a surgir neste período. Outro autor underground importante, mas com uma personalidade que já reflecte o denominado período alternativo posterior (a saber: o abandono do slapstick e da sátira em favor de uma abordagem séria à sua própria vida quotidiana) é o argumentista Harvey Pekar.
Na Europa é importante o espírito que levou ao Maio de 68 e os ventos de libertação que este movimento político trouxe. Surgem algumas obras em que a mulher é protagonista, mas em que o olhar privilegiado (eroticizado) é o do criador (homem). É uma falsa libertação da mulher porque implica um olhar masculino sobre as heroínas (em aventuras que não diferem muito das fantasias infanto-juvenis de épocas passadas (refiro-me concretamente a Barbarella de Jean-Claude Forest ou Pravda La Survireuse com desenho de Guy Pellaert e guião de Pascal Thomas). (O verdadeiro feminismo pode encontrar-se nos Estados Unidos no comic book Wimmen's Comix e em França na revista Ah! Nana.) O mais interessante destas obras (e das de Moebius e Druillet, já agora) está no psicadelismo gráfico, expressão também privilegiada na efémera revista portuguesa Visão (doze números publicados entre 1975 e 1976 pela Edibanda, de Lisboa), obviamente ligada ao movimento hippie e ao consumo de estupefacientes.
Se Harvey Pekar teve ligações ao underground (Robert Crumb colaborou com ele), o também argumentista argentino Héctor Germán Oesterheld e o italiano Guido Buzzelli fazem figura de alienígenas porque produziram obras adultas (embora dirigidas, em princípio, aos adolescentes, no caso do primeiro, o qual sabia perfeitamente que os pais dos petizes também liam as suas histórias humanistas) e ideologicamente complexas que contrastam com o simplismo da banda desenhada infantilizada do seu tempo. Oesterheld criou uma ética de sacrifício que é o oposto do heroísmo machista das revistas para adolescentes. (Refiro-me sobretudoà série Ernie Pike). A obra e a vida de Oesterheld cruzam-se bizarramente porque ele, as suas quatro filhas e dois genros foram vítimas da ditadura militar argentina dos anos de 1970; com Oesterheld trabalharam os desenhadores Carlos Roume, Solano López, Hugo Pratt e Alberto Breccia, todos excelentes. Quanto a Buzzelli, questionou as utopias e o maniqueísmo, nas suas histórias Zil Zelub ou L'Agnone - uma mistura de ovelha e leão - onde o bem é tão ou mais letal do que o mal. Foi um dos primeiros artistas de banda desenhada a auto-representar-se como personagem em sequências oníricas onde recorda a sua própria infância. Foi também pioneiro do que mais tarde se chamou "graphic novel" (romance gráfico), expressão utilizada para substituir a desacreditada designação "comics" (banda desenhada). Tal sucedeu sob os auspícios do BISAC (Book Industry Standards and Communications) o qual autorizou a utilização da etiqueta "graphic novels" nas estantes das livrarias normais retirando, assim, a banda desenhada mais culta do gueto das livrarias especializadas. Em 1967 a revista japonesa Garo começa a publicar o enorme Yoshiharu Tsuge, autor de culto com uma voz onírica e poética muito próprias, autor da "banda desenhada do eu". Em França, Fred (Othon Aristides) produziu uma obra extremamente pessoal. Escusado será dizer que é com eles que começa verdadeiramente a arte da banda desenhada no campo restrito. Os artistas de banda desenhada libertavam-se finalmente da canga comercial para se expressarem livremente de forma adulta e responsável tal como a sociedade permite fazer aos outros meninos que brincam no pátio das artes. Para que tal fosse possível, um certo quebrar de barreiras rígidas entre a baixa e a alta cultura foi muito importante. Para que a noção de liberdade criativa proliferasse, sobretudo a partir do início dos anos 1990, a já citada ideia de romance gráfico foi também fundamental. Apesar disso, a verdadeira arte da banda desenhada continua num certo limbo comercial, sem conseguir completar a sua legitimação cultural.
(...) Não é fácil, neste breve resumo, dar uma ideia sequer aproximada da complexidade dos problemas que estão em jogo, das questões mais discutíveis e discutidas, da real diversidade desta arte. Basta olhar para os quiosques das nossas cidades para perceber como a banda desenhada já não mora ali. Da rua popular a banda desenhada passou para a livraria burguesa, mas, mesmo aí, a sobrevivência não se encontra assegurada. Talvez seja necessário que os livros de banda desenhada deixem as prateleiras envergonhadas do fundo e venham para espaços mais nobres dialogar com os representantes da literatura e da arte. Argumentos, penso que ficou demonstrado, já não parecem faltar-lhes.
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Diz Pedro Vieira de Moura
"(...) O propósito da exposição Tinta nos Nervos é dar a ver parte da produção da banda desenhada portuguesa, através de um foco de análise estética e de rigor artístico. Isto significa que existe um rol de outros pontos de partida que foram colocados de lado. O sucesso comercial, o seu papel como forma de entretenimento infantil, de massas ou outro, a sua relação com outros meios de expressão ou com os modos de distribuição, não são parte do instrumentário da escolha presente. Apesar da presença de dois autores históricos - Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905) e Carlos Botelho (1899-1982) - também não se pretende dar a ver qualquer tipo de "evolução" ou linha histórica; e a incidência em autores vivos tenta abordar várias gerações, diversos modos de trabalho, e muitas presenças nos imaginários desta área, ainda que haja uma incidência maior para as transformações e as liberdades cada vez maiores que a contemporaneidade permitiu a esta linguagem. Dar a ver, portanto, uma escolha que, por um lado, emprega critérios híbridos que procuram respeitar a natureza já de si híbrida da própria banda desenhada, e por outro lado, se pode ser reduzida a uma fórmula, será a de "banda desenhada de autor".
(...) A vida da banda desenhada em espaços expositivos ou museológicos tem uma história tão simples quanto conturbada relativamente a outras disciplinas artísticas. Simples no sentido em que não conta com uma história longa e dispersa em casos que impeçam uma simples contagem; conturbada por cada um desses gestos se ter revestido de significados e métodos bem diversos entre si. Boa parte dessas exposições reveste-se de um encontro entre a high brow art, menos cotejando-se entre si do que do que descobrindo os aspectos mais superficiais de contacto (como a figuração , por exemplo), e podemos definir 1967 como uma possível data inaugural para esse diálogo, ano em que se apresentou a exposição Bande Dessinée et Figuration Narrative, em Paris, no Musée des Arts Décoratifs - Palais du Louvre.
Inversamente, isto é, exposições em espaços institucionais museológicos a albergar a banda desenhada por ela mesma, podemos apontar como exemplo a exposição que o Hammer Museum e o Museum of Contemporary Art, ambos em Los Angeles, co-organizaram em em 2005, intitulada Masters of American Comics, exclusivamente composta por trabalhos de banda desenhada de quinze dos seus "grandes nomes", e a exposição de Hergé, comissariada por Nick Rodwell e Laurent Le Non, no Centre Georges Pompidou, em Paris, em 2007. Uma outra exposição marcante, que levantou grandes e profundas questões sobre a forma como se poderá expor a "arte original" da banda desenhada, foi Les Musées Imaginaires de la Bande Dessinée, na Cité internationale de la bande dessinée et de l'image, em Angoulême, em 2002, na qual se mostravam trabalhos desta arte segundo os modelos expositivos de museus tais como os de história natural, de ciências e técnicas, belas-artes, ou mesmo os de uma galeria de arte contemporânea.
Em Portugal, poderão apontar-se as pequenas exposições monográficas que vão pautando os calendários de várias acções camarárias e/ou institucionais, as participações de artistas individuais - enquanto autores de banda desenhada - em pequenas ou médias mostras ou acções ditas "alternativas", e as exposições inerentes aos festivais ou instituições associadas à banda desenhada, um pouco por todo o país, as mais das vezes associadas a um lançamento editorial, a um capítulo histórico alvo de uma redescoberta ou reapresentação, uma data comemorativa, um concurso, uma antologia temática e/ou nacional, ou simplesmente a algo já empacotado de fora. Contar-se-ão pelos dedos aqueles que se pautam por critérios mais acertadamente intrínsecos ou estéticos da própria banda desenhada. Uma palavra de destaque deve ir para a exposição apresentada no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, intitulada Banda Desenhada Portuguesa, comissariada por João Paiva Boléo e Carlos Bandeiras Pinheiro, em 2000. No entanto, essa exposição, que trouxe à luz um conjunto memorável de arte original de muitos dos autores que compõem a história da banda desenhada publicada em Portugal era isso mesmo: elementos históricos, sendo esse o critério que dirigia essa acção. Outra menção deve ir para o Zalão de Danda Besenhada, cujo foco circunscrito era feito sobre alguns autores independentes, apresentado na galeria Zé dos Bois, em 2000 (dos autores presentes em Tinta nos Nervos participaram Isabel Carvalho, Pedro Zamith, Marcos Farrajota e Janus), e que daria origem à editora MMMNNNRRRG. Presentemente, talvez possamos apontar como espaços expositivos regularmente abertos à banda desenhada as galerias Plumba, Dama Aflita, e a galeria da livraria especializada Mundo Fantasma, coincidentemente todas elas no Porto, mas todas elas com estratégias e focos diversificados entre si. (...)
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Título: Tinta nos Nervos Banda Desenhada Portuguesa
Título da capa impresso a cores sobre autocolante
Catálogo impresso em offset sobre papel Inaset e Popset cinza. Encadernação em bifólios fresados e colados à capa
198 páginas
Dimensões: 21x27cm
Preço:25€
Data da edição: Janeiro 2011
Editores: Museu Colecção Berardo e Centro Cultural de Belém
Praça do Império
1449-003 Lisboa
Livro-catálogo à venda na livraria do CCB
Distribuição: Chili Com Carne, pedidos encomendas para ccc@chilicomcarne.com
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Esta postagem é a "Parte 3 de 3", completando as imediatamente anteriores de 9 e 14 Jan., relacionadas com a exposição BD "Tinta nos Nervos" .

sexta-feira, janeiro 14, 2011

Críticas e notícias sobre BD na Imprensa (XXI) - Time Out Lisboa - Tinta nos Nervos



Tem-se assistido nos média a um interesse inusitado (ainda bem!) pela exposição de banda desenhada patente no Museu Colecção Berardo (Centro Cultural de Belém), que Pedro Vieira de Moura intitulou "Tinta nos Nervos - Banda Desenhada portuguesa".

Ainda outro sinal desse interesse jornalístico acaba de ser dado na mais recente edição da revista Time Out Lisboa (nº172, 12 a 18 Jan), suplemento A Semana, no artigo "BD que fala português".

Todos os artigos na imprensa são importantes para a exposição, logo para a BD, e não obstante o texto estar interessante e entusiástico, infelizmente começa por uma afirmação, deixada sem esclarecimento, que pode criar, à partida, uma noção errónea do que já se passou em Portugal nesta área.
Leia-se pois o seguinte excerto:

"Poderíamos começar por dizer que "Tinta nos Nervos" é a maior exposição de banda desenhada portuguesa alguma vez feita, e que é uma mostra exaustiva e absoluta, só que isso não seria totalmente verdade. (...)"

"Exaustiva"? "absoluta"? O que vale é que a jornalista terminou o parágrafo de forma estrategicamente ambígua, porque, ou alguém mais conhecedor lhe soprou aos ouvidos que a exposição não corresponderia a esses adjectivos, e eventualmente até já teria havido outras mais abrangentes, ou ela própria se apercebeu da periculosidade de uma tal afirmação.

Com efeito, e com toda a consideração que me merece Pedro Moura, pela intensa actividade que tem andado a desenvolver na BD - o seu importante blogue de crítica "Ler BD", mais a função de professor, a nível de ensino superior, de BD e Ilustração - e agora pela qualidade e importância da iniciativa por ele levada a cabo, sozinho, a verdade é que "Tinta nos Nervos" é até uma mostra bastante parcial, seguindo o critério muito pessoal do seu comissário, que deixou de fora alguns nomes extremamente importantes (menciono aqui apenas um: Relvas, Fernando Relvas).

Retornando ao texto sob apreciação, da jornalista Catarina Mendonça Ferreira - que terá a desculpa de não ser, necessariamente, uma conhecedora do tema -, não poderei deixar de lhe dizer que, em termos de "exposição exaustiva e absoluta" esteve mais próxima a organizada, em duas fases, por João Paulo Paiva Boléo e Carlos Bandeiras Pinheiro, na Fundação Calouste Gulbenkian, nos anos 1997 e 2000.
Mais concretamente:

Em 1997 teve lugar a 1ª parte da exposição "A Banda Desenhada Portuguesa - 1914-1945"
No ano 2000 esteve patente a 2ª parte, "A Banda Desenhada Portuguesa - Anos 40-Anos 80".

Nestas duas mostras, realizadas com publicações da época e pranchas originais (tal como esta agora de Pedro Moura, nisso não houve diferença), foram incluídos os autores portugueses de BD com importância pelo seu contributo e qualidade, publicados naqueles períodos estabelecidos pelos comissários, cujo arco de tempo abarcou, afinal de contas, mais de setenta anos de banda desenhada portuguesa.
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Este texto é a "Parte 2 de 3" da postagem anterior, de 9 Janeiro, na categoria Exposições BD avulsas (IV)
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Para ver postes anteriores relacionados com os mais diversos textos publicados em jornais e revistas - categoria que aparece neste blogue, de quando em vez, desde 2005, Julho 15 -, basta clicar na etiqueta Imprensa - Críticas e notícias sobre BD, visível no rodapé.

domingo, janeiro 09, 2011

Exposições BD Avulsas (IV)-TINTA NOS NERVOS




Quando se fala de banda desenhada, ainda há muita gente preconceituosa que a deprecia, e muitos outros, ignorantes nesta área, que unicamente a associam ao Tio Patinhas e similares, alegando tratar-se de mero entretenimento infanto-juvenil.
Contrariando tais preconceitos difíceis de erradicar entre nós, de vez em quando a BD portuguesa constitui fulcro de grandes exposições implantadas em locais de prestígio, como já aconteceu por várias ocasiões em Lisboa, designadamente as seguintes: na Fundação Calouste Gulbenkian, em organização da dupla João Paulo Paiva Boléo e Carlos Bandeiras Pinheiro; no Museu da Cidade e no Museu República e Resistência, ambas sob responsabilidade do presente bloguista; e no Museu das Comunicações, em comissariado conjunto de Leonardo De Sá e Carlos Pessoa.
Ainda falando de BD em Museus, mas dessa vez fora da capital, a BD esteve albergada num bem prestigiado, o Museu de Física da Universidade de Coimbra, numa exposição organizada pelo triunvirato constituído por João Ramalho Santos, João Miguel Lameiras e João Paulo Paiva Boléo.

A iniciar bem o ano de 2011, e mais uma vez, a arte narrativa sequencial ocupará um espaço importante: o do Museu Colecção Berardo, no Centro Cultural de Belém, com um numeroso conjunto de pranchas, em representação de quarenta e um autores portugueses.
Será esse o panorama gráfico - patente entre 10 de Janeiro (com inauguração às 19h30) e 27 de Março - que espera os visitantes da mostra imaginativamente intitulada Tinta nos Nervos.

Como disse em entrevista à Lusa o seu comissário Pedro Moura, "o propósito é mostrar uma panorâmica de alguma da banda desenhada portuguesa a partir de um foco estético, ou de banda desenhada de autor, uma BD que está preocupada com uma expressão pessoal, uma experimentação formal."

E que autores considerou Pedro Vieira Moura corresponderem a tal premissa? Os seguintes (por ordem alfabética do nome artístico de cada um deles):

1. Alice Geirinhas
2. Ana Cortesão
3. André Lemos
4. António Jorge Gonçalves
5. Bruno Borges
6. Carlos Botelho
7. Carlos Pinheiro
8. Carlos Zíngaro
9. Cátia Serrão
10.Daniel Lima
11.Diniz Conefrey
12.Eduardo Batarda
13.Filipe Abranches
14.Isabel Baraona
15.Isabel Carvalho
16.Isabel Lobinho
17.Janus
18.João Fazenda
19.João Maio Pinto
20.José Carlos Fernandes
21.Jucifer (Joana Figueiredo)
22.Luís Henriques
23.Marco Mendes
24.Marcos Farrajota
25.Maria João Worm
26.Mauro Cerqueira
27.Miguel Carneiro
28.Miguel Rocha
29.Nuno Saraiva
30.Nuno Sousa
31.Paulo Monteiro
32.Pedro Burgos
33.Pedro Nora
34.Pedro Zamith
35.Pepedelrey
36.Rafael Bordalo Pinheiro
37.Richard Câmara
38.Susa Monteiro
39.Teresa Câmara Pestana
40.Tiago Manuel
41.Victor Mesquita
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Título da mostra:

Tinta nos Nervos
Banda Desenhada Portuguesa

Local:
Museu Colecção Berardo
Praça do Império
Lisboa

Horário:
Dias úteis, das 10h00 às 19h00
Sábados, das 10h00 às 22h00

Preço:
Entrada livre
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Para ver as anteriores postagens relacionadas com o presente tema bastará clicar no item "Etiquetas: Exposições BD avulsas"

quarta-feira, janeiro 05, 2011

C O N C U R S O DE B AN D A D E S E N H A D A

Para quem gosta de fazer banda desenhada e já está na meia idade, eis um concurso de BD bastante permissivo, que aceita qualquer concorrente desde que já tenha feito dezasseis anos, sem limites daí para cima!

É de novo mais uma boa oportunidade para aqueles que, embora sentindo-se capazes de fazer BD, foram deixando passar o belo tempo da juventude sem nunca terem tido oportunidade de participar num qualquer concurso da especialidade, sempre com alguma mágoa dessa lacuna na vida.
E porque, durante muitos anos, praticamente todos os regulamentos impunham o limite dos trinta anos, por vezes até dos 26 anos, seguindo os critérios do FAOJ-Fundo de Apoio aos Organismos Juvenis, e mais tarde do IPJ-Instituto Português da Juventude.
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O que quer dizer que, inteligentemente, a parceria formada pelo Município de Odemira e a Associação Sopa dos Artistas eliminou esse tipo de limitação etária. Aplaudo em nome dos tais desenhadores menos jovens.
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Mas vamos lá ao regulamento, que sintetizarei, embora dando os elementos principais.
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REGULAMENTO
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1 - TEMA LIVRE!
E, como já ficou dito no preâmbulo, toda a gente pode concorrer, desde que tenha pelo menos 16 anos, sendo que daí para cima não há limite de idade!

2 - Prémios
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1º - 300€
2º - 150€
3º - 75€

3 - As bandas desenhadas participantes terão de ser inéditas..
4 - As pranchas terão de ser apresentadas em folhas de formato A3
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5 - Cada concorrente poderá participar com mais do que uma bd, desde que as envie separadamente e com pseudónimos diferentes.

1ª Nota deste bloguista:
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O regulamento é omisso no que se refere ao número mínimo e máximo de pranchas para cada banda desenhada.
O que significa que as obras podem ter a quantidade de pranchas que o autor quiser.
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O regulamento é igualmente omisso no que se refere à execução das bandas desenhadas serem a preto e branco ou a cores, pelo que também isso ficará ao critério dos autores concorrentes.
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6 - Nas pranchas das bedês não pode constar nada que identifique o autor, sob pena de ser excluído..
7 - Juntamente com cada obra, o concorrente deverá enviar um envelope com o seu pseudónimo no exterior, enquanto que no interior terão de constar, bem legíveis, os seguintes elementos identificativos:
a) nome completo
b) morada
c) nº de telefone

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8 - As pranchas têm de ser numeradas e assinadas com o pseudónimo no canto inferior direito.
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2ª Nota deste bloguista:
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Já no concurso anterior repudiei o presente item, chamando a atenção dos organizadores para que apenas exigissem a colocação do pseudónimo no verso das pranchas, para não serem danificadas com um pseudónimo que o autor não poderá voltar a usar em concurso.
Como o item se mantém inalterado, deduzo que:
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a) Ou não leram o comentário que fiz neste blogue ("post" de Nov. 10, 2009),
b) Ou não concordaram...
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O que o regulamento deveria aconselhar (e não obrigar) seria que os autores das bedês deixassem um espaço em branco, no canto inferior direito, onde, posteriormente, poderiam assinar com o seu nome artístico..

9. Deverão ser entregues 3 cópias de cada prancha A3 das bandas desenhadas a concurso.
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10. As bandas desenhadas poderão ser entregues directamente no Balcão Único (BU), ou por correio, em carta fechada (neste caso, através de registo com aviso de recepção) até ao dia 18 de Fevereiro.
A morada é a seguinte:
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Município de Odemira
Praça da República
7630-139 ODEMIRA.
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Esta é a 47ª postagem acerca do tema, em que constam notícias, regulamentos, e até um texto meu intitulado "Concursos de Banda Desenhada - Subsídios para um estudo" (postagem de Out.09, 2009).
Quem estiver interessado em ver as normas habituais deste tipo de iniciativas, poderá fazê-lo com uma simples clicagem na etiqueta aqui no rodapé

segunda-feira, janeiro 03, 2011

Tertúlia BD de Lisboa




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Vasco Martins é arquitecto e nas horas vagas gosta de fazer banda desenhada que tem estado a publicar mensalmente na revista Cais.
Vai ser o Convidado Especial da Tertúlia BD de Lisboa a 4 de Janeiro, ou seja, na primeira 3ª feira do mês, que é o dia em que se realiza a TBDL há vinte e cinco anos.
O encontro inicia-se às 20h, tem a participação de uma média de trinta (*) pessoas que, de variadas formas, têm ligação à banda desenhada: desenhadores, argumentistas, críticos, divulgadores, editores, jornalistas, coleccionadores, e, "last but not the least" simples leitores.
A componente que justifica o nome desta associação informal é o momento de tertúlia que se realiza após o jantar, quando o autor (iniciante ou já iniciado) se auto-apresenta, falando de si, do que tem feito em BD, do que está actualmente a fazer, dos seus projectos futuros nesta área.
No fim há sempre algumas perguntas dos presentes, e sorteia-se uma peça original oferecida pelo convidado, a quem é oferecido um Diploma de Incentivo.
O encontro tertuliano finda sempre cerca das 23h00.
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Síntese biográfica de

VASCO MARTINS

Vasco Leite Costa Martins nasceu em Lisboa, a 13 de Novembro de 1980.
Licenciou-se em Arquitectura no Instituto Superior Técnico (Lisboa) em 2006, tendo também concluído um curso de Ilustração e Banda Desenhada no Ar.Co (2005 a 2008).
Adquiriu experiência profissional em arquitectura com os arquitectos Vasco Massapina, Manuel Tainha e João Fagulha.
Teve também experiência lectiva em Escolas Secundárias de Cacém/Sintra e Carnide/Lisboa, no ensino das disciplinas de Desenho B, Geometria Descritiva A e programa PIEF.
Tem participado em vários concursos de BD: no do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, onde obteve o 1º Prémio no tema "Ser Maior" (2007), e uma Menção Honrosa no tema "O Grande Vigésimo" (2008); no concurso "Vírus BD", de Leiria, alcançou o 2º Prémio dentro do tema "Vilões, Vilanias e outras ironias" (2007); em 2008 participou no concurso inserido no evento suiço "Fumetto Comix", em Luzern, no tema "Clima", tendo sido seleccionado para a respectiva exposição.
Também já tem trabalhado na área do Cartune: entre Fevereiro e Agosto de 2008, publicou cartunes no Sol online sobre temas da actualidade.
Ainda nesse mesmo 2008, a partir de Novembro, e até agora, tem estado a colaborar mensalmente com uma banda desenhada de página dupla, publicada quase sempre a cores, na revista CAIS.

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Para ver mais bedês deste autor, nada melhor do que visitar o blogue dele, cujo título é:
VASCO!
e o endereço aqui fica:

http://vascostamartins.blogspot.com/
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Ilustram esta postagem as seguintes bandas desenhadas
(afixadas de cima para baixo):

1 - "Voluntariado" - banda desenhada inédita, pois irá sair na revista CAIS - Jan.2011
(ainda não posta à venda)

2 - "A República apresenta: O Estado do Orçamento" - in revista CAIS - Dez. 10

3 - "O Grande Vigésimo" - Menção Honrosa no Concurso BD Amadora em 2008

4 - "Sumário: Carnaval" - in revista CAIS - Fev. 09

5 - "Verão" - in Revista CAIS - Set. 08

6 -"Ser Maior" - 1º Prémio no Concurso BD da Amadora em 2007

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Lista de participantes (informação "a posteriori"):
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1. Adelina Menaia; 2. Afonso Oliveira (4 anos!); 3. Álvaro;
4. Ana Saúde; 5. António Isidro;
6. Falcato; 7. G. Lino; 8. Helder Jotta; 9. João Antunes;
10. João Figueiredo; 11. Milhano;
12. Moreno; 13. Nuno Duarte "Outro Nuno";
14. Osvaldo Medina; 15. Paulo Marques; 16. Pedro Bouça;
17. Pepedelrey; 18. Rui Domingues; 19. Sá-Chaves;
20. Sandra Oliveira; 21. Simões dos Santos;
22. Teresa Cardia; 23. Vasco Martins (Convidado Especial)
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(*) Já houve encontros em que estiveram mais de 50 bedéfilos... O ano passado, o normal foi estarem cerca de 40 "tertulianos", mas desta vez apenas participaram 22 pessoas (mais o Convidado Especial). Efeitos da crise, ou de ainda haver muitas pessoas fora de Lisboa?
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Os interessados em verem notícias dos encontros anteriores desta tertúlia, quem lá tem estado anteriormente como Convidado Especial e/ou Homenageado, e imagens das respectivas bandas desenhadas, podem fazê-lo clicando no item "Etiqueta - Tertúlia BD de Lisboa" que se vê em rodapé