segunda-feira, junho 28, 2010

Bolsas mensais para autores de BD e outros artistas, sem limite de idade


Bolsas para artistas de todos os temas, da Banda Desenhada à Pintura, sem limite de idade nem restrições à nacionalidade, e de tema livre para todas as áreas, é uma invulgaríssima iniciativa que vai entrar em vigor a partir de 1 de Julho (*), levada a efeito a nível individual por Rui Tavares, eurodeputado eleito pelo Bloco de Esquerda.

Li isto no jornal i, de 5 deste mês de Junho, numa mini-entrevista intitulada "3 Perguntas Essenciais", feita pela jornalista Sónia Cerdeira. Mas só hoje divulgo a novidade porque as regras completas da candidatura apenas estarão patentes a partir de 1 de Julho no sítio

http://www.ruitavares.net/bolsas

http://ruitavares.net/bolsas/regulamento

As candidaturas deverão ser apresentadas até ao dia 1 de Outubro de cada ano; aliás, as primeiras bolsas devem ser atribuídas nesse mesmo mês de Outubro.

As candidaturas serão feitas através do formulário disponibilizado online no sítio da Internet www.ruitavares.net/bolsas

O formulário de inscrição é preenchido e entregue online

Para validação da candidatura, após o envio do formulário, os candidatos recebem via e-mail uma declaração que integra todos os dados indicados pelo candidato, a qual deverá ser impressa e enviada por correio dirigido a:

Rui Tavares
Deputado do Parlamento Europeu
Largo Jean Monnet, nº 1 - 6º andar
1269-070 Lisboa

Entretanto ficou já a saber-se, na mini-entrevista, que as bolsas podem durar seis meses (*), não impõem limite de idade - repito, por ser da máxima importância -, têm é de estar, no seu conjunto, dentro do pé de meia dos 15oo euros mensais.
Restrições (lógicas): não se podem candidatar funcionários do Parlamento Europeu, da Assembleia e do BE.

E acrescenta Rui Tavares: "Não vou dar a bolsa a conhecidos, mas a perfis interessantes".
Mas o bacano é rico? (interrogações que surgirão de imediato).

"Tiro do meu salário 1500 euros todos os meses. Há alguns meses que ando a fazê-lo (...) Convenhamos que é pouco dinheiro", explica ele.
Daí a cláusula a impor que o projecto a concurso terá de estar limitado aos mil e quinhentos euros mensais. Mas não deixa de ser, mesmo assim, uma iniciativa inusitada e digna de admiração (digo eu, embora acredite que, sendo os portugueses os mais desconfiados da Europa, haverá com certeza alguns comentários tipo bota-abaixo ou a descobrir intenções dúbias nas entrelinhas...)

(*) Hoje, dia 2 de Julho, fui de novo ver o blogue de Rui Tavares, para ver se já lá estaria o regulamento de candidatura às bolsas. Ainda não está...

... mas já lá está agora, dia 14 de Julho, até talvez já lá estivesse antes, eu que só hoje voltei a mexer neste tema, e fui verificar; aliás acrescentei dois endereços úteis.
Li algures que são privilegiadas bolsas de duração curta (entre um trimestre e um ano).

Mas o melhor mesmo é os interessados estudarem bem o regulamento, acessível no site cujo endereço mostro logo no início do "post"

sexta-feira, junho 25, 2010

Banda Desenhada portuguesa nos jornais (CXXI) - Jornal "Rosa Maria" - Autores: Nuno Saraiva; Hugo Henriques





Estamos no mês dos santos populares, há festa nos bairros de Lisboa, a Mouraria é um deles, e Rosa Maria (*) é o seu jornal, trimestral gratuito e - haja Zeus! - com banda desenhada!

O Rosa Maria Jornal da Mouraria - este o título completo do novel periódico, é editado pela Associação Renovar a Mouraria.

O número Zero foi distribuído no fim- de-semana passado, em pleno arraial montado no Largo da Rosa, onde se situa o palácio (degradado) que ostenta o mesmo nome, e que é "o lado aristocrático da Mouraria", como escreve Pedro Santa Rita no jornal.
Com grande satisfação para todos os bedéfilos que por lá passaram - Pedro Cavalheiro, José Eduardo Rocha, Fernando Guerreiro, Carlos Guerreiro, a gatófila, poetisa (ou poeta, agora usa-se mais) e bedéfila Inês Ramos e, claro, o Nuno Saraiva, também activo elemento da citada associação, assim como a minha amiga Margarida, que em tempos esteve ligada à Feira Internacional do Fanzine, na edição levada a efeito no Centro Cultural do Laranjeiro.

Há uma novidade no que concerne à BD publicada no jornal: repare-se nos nomes que se apresentam como autores da tira Moran mora na Mouraria, Hugo Henriques a fazer o desenho e o franco-argelino (residente apaixonado pela Mouraria) Mourad Ghanem a escrever o argumento. O desenho tem um certo tom "naïf", com frescura e graça. Só daqui a três meses teremos mais.

Nuno Saraiva, a solo de novo, assina a prancha a cores A Vida em Rosa, ao seu estilo descontraído e rápido, com o humor que o caracteriza, e o espírito de observação invulgares (deliciosa a figura de Rosa Maria, à janela da mansarda, vendo-se lá no alto o castelo de S. Jorge)...
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"A minha graça é Rosa Maria
"Foi um grande alvoroço na Rua do Capelão, mas a Albertina perdeu argumentos e foi a Rosa Maria quem levou a melhor. Não foi uma escolha fácil, depois de muitas horas em conversas com as pessoas, nos cafés, tascas e vielas, depois de muitos cartazes procurando um nome para o jornal da Mouraria (...)
Já tínhamos centenas de propostas, novas iam chegando, eis quando surge a Adriana com a Rosa Maria, perdigueira irrequieta.De imediato foi sugerido o seu nome. Foi a votos e ganhou: Jornal da Mouraria, de seu nome Rosa Maria. IA
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Mouraria
Uma filha da tolerância
Sem D. Afonso Henriques, este lugar nunca teria nascido
(um curto mas notável texto de Adalberto Alves, escritor e advogado, que enriquece o espaço bem paginado do Rosa Maria.
 

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Há festa na Mouraria
Poema: Gabriel de Oliveira
Música: Alfredo Marceneiro

Há festa na Mouraria,
É dia da procissão
Da Senhora da Saúde.
Até a Rosa Maria,
Da Rua do Capelão,
Parece que tem virtude.
(...)

Mais um pouco do que há para ler neste Rosa Maria, cheio de virtudes, cores, fotografias, bandas desenhadas, e muito trabalho comunitário, que ainda existe, ah pois é...
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QUEM FICAR INTERESSADO EM COMEÇAR A COLECCIONAR ESTE ESTUPENDO JORNAL, TERÁ DE IR NESTAS AGRADÁVEIS NOITES DE 6ª FEIRA (25) E SÁBADO (26), AO ARRAIAL DO LARGO DA ROSA, ONDE HÁ SARDINHA ASSADA, MÚSICA, BAILARICO POPULAR E MUITA SIMPATIA DOS MORADORES. 
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Para ver os 120 textos anteriores basta clicar sobre a etiqueta "Banda Desenhada portuguesa nos jornais" inserida no rodapé

Banda Desenhada portuguesa nos jornais (CXX) - Ensino Magazine - Autores: Bruno Janeca e Dinis Gardete


"Se os portugueses apoiassem o desenvolvimento do país como apoiam a selecção..."
"Pois o problema é cada vez mais esse... apoiarem-no da mesma forma!"
"Como assim?"
"Sentados no sofá a ver televisão!..."

 
Não se pode ser mais contundente com tão poucas palavras...


"Educação às Tiras
é, como indica o título, uma tira de banda desenhada que aparece mensalmente no gratuito Ensino Magazine, sendo a banda desenhada da autoria de Bruno Janeca, que faz a sequência desenhada, e de Dinis Gardete, que escreve o argumento.


Como se impõe num periódico dedicado ao ensino, os "gags" têm por personagens alunos e familiares (geralmente o pai), as suas reacções e comportamentos, sempre inseridos num contexto de crítica e de humor.
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Para ver os 119 textos anteriores basta clicar sobre a etiqueta "Banda Desenhada portuguesa nos jornais" inserida no rodapé

Acordo ortográfico na Banda Desenhada e afins (VI)


A selecção nacional de futebol, a jogar sem o c (consoante muda) mas com o Cristiano (por que carga de água lhe havemos de chamar Ronaldo, Ronaldo é o brasileiro, Cristiano Ronaldo ainda vá) prepara-se para defrontar a brasileira seleção.
Entretanto, vamo-nos habituando às novas regras ortográficas, que já aí estão em vários órgãos dos média.
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Quem estiver interessado em ver as postagens anteriores, poderá fazê-lo clicando no rodapé, no item "Acordo Ortográfico na Banda Desenhada"

 



terça-feira, junho 22, 2010

Coleccionadores e Colecções de BD (I)




A Banda Desenhada constitui um tema rico em possibilidades de coleccionismo. Para todos os que sentem prazer em coleccionar - e pode dizer-se que raras são as pessoas insensíveis a isso -, a BD fornece múltiplas hipóteses.
É bem conhecido o afã com que milhares de bedéfilos - os amigos da BD - pesquisam em alfarrabistas, na Feira da Ladra, em leilões, etc., na mira de encontrar antigas colecções de revistas de histórias aos quadradinhos.

Mosquitos, Diabretes, Papagaios, Cavaleiros Andantes, Mundos de Aventuras, Tintins, são alguns dos títulos que se ouvem citar com frequência, como sendo das colecções mais procuradas.
Há igualmente coleccionadores que se dedicam, em simultâneo com as revistas e álbuns editados em Portugal, a adquirir novas e actuais revistas estrangeiras, bem assim como álbuns. São, em geral, adultos de razoável poder económico, e também de bom nível cultural, pois nem toda a gente está apta a ler com desenvoltura em espanhol, francês ou inglês.

Salões e Festivais de BD,
paraísos de coleccionadores

Todos os anos se realizam Salões ou Festivais em alguns países europeus.
É o caso de Espanha - Saló Internacional del Còmic de Barcelona; de França, onde, entre vários, sobressai o Salon International de la Bande Dessinée d'Angoulême; da Suiça, onde se realiza o Festival de BD de Sierre; e o decano de todas as manifestações do género, o Salone Internazionale dei Comics de Lucca (1).
Também há Convenções de BD em Bruxelas, Paris, Londres, San Diego (USA), entre outras.
Nós, autor destas linhas, há cerca de dez anos que somos visitante assíduo de Lucca, de Angoulême, e, mais recentemente, também de Barcelona.

VI Saló Internacional del Còmic - Barcelona 88
Pois foi agora, em Barcelona - no Saló, como escrevem os catalães, entre 26 e 29 de Maio - que nos ocorreu a ideia de que os motivos de agrado para os coleccionadores são, de facto, quase inesgotáveis. Demo-nos conta, a certa altura, de que poderíamos perfeitamente aumentar quase infinitamente esse prazer muito especial que é o de iniciar - e desenvolver posteriormente - colecções temáticas.
Vamos enumerá-las, ao acaso das lembranças:

1. Números UM de novas revistas

Estamos perfeitamente convencidos de que há numeroos coleccionadores deste tema. De jornais, conhecemos nós quem compre todos os números uns. Quanto a revistas de Banda Desenhada, não nos admiraria nada que alguém nos dissesse ser fã desse tipo de colecção. (2)
Quer haja ou não, aqui fica a ideia. E, a ilustrá-la, as capas do nº 1 das revistas Corto Maltese, Spirit, Richard Corben, Clássicos del Comic e TBO. E, já agora, a de uma portuguesa recentemente editada (Maio): as Selecções BD, da qual somos colaborador.

2. Desenhos originais

Um dos atractivos mais aliciantes destes eventos é o de podermos conhecer pessoalmente muitos dos autores que admiramos. Mas há ainda outra hipótese: é a de conseguir que nos façam um desenho ali mesmo, à nossa vista. Podemos assimver a técnica que usam, se são canhotos ou dextros, se têm facilidade em desenhar de improviso, ou necessitam de fazer um esboço inicial.
Praticamente, todos os desenhadores mostram agrado nessa tarefa. É habitual vê-los passar toda uma manhã, ou uma tarde inteira, no stand do respectivo editor, a autografar e a desenhar em cada álbum que os admiradores lhe põem à frente.
No que me diz respeito, houve uma fase inicial em que pedia a quase todos os desenhadores que me fizesem um desenho. Antes de ir a Barcelona, a minha colecção - no que se refere a artistas estrangeiros - comportava originais de Milo Manara, Bilal, Moebius, Palacios, Blasco, Servais, Hermann, Victor de la Fuente, Rosinsky, Craenhals, Manfred Sommer, José Ortiz, Muñoz, Segrelles, Gigi, Pepe Gonzalez, Juan Zanotto, Solano Lopez, Mordillo, Quino, Aragonés, Bonvi, Enrique Breccia, John Prentice, John Buscema, Neal Adams, Rick Veitch, além de vários outros menos famosos.
Agora em Barcelona obtive desenhos de Josep Toutain (actualmente, um dos mais importantes editores espanhóis, mas que, na juventude, também foi banda-desenhista), Hugo Pratt, John Romita (o pai, autor do Homem-Aranha nos anos sessenta, tal como, recentemente, o filho, John Romita Jr.), Josep Maria Beá, Vittorio Giardino (artista de rara sensibilidade), Horacio Altuna, Das Pastoras, Miguelanxo Prado (ou Miguel Angel Prado, se o nome for escrito em castelhano em vez de galego...), e Juan Gimenez, que há anos me prometia um desenho.
Para ilustrar este capítulo escolhi o Spider Man feito por John Romita. Não por ser o melhor, mas por ser mais difícil, para nós, europeus, enriquecer a nossa colecção com este tipo de "peças", oferecidas por desenhadores americanos. Por uma razão: raros são os que vêm à Europa. (3)
3. Sacos de plástico decorados com figuras da BD

Conhecemos quem seja coleccionador destas peças. Às vezes assalta-nos a tentação de também nós os coleccionarmos, de tal maneira alguns são bonitos. São mandados fazer de propósito pelas editoras, servindo assim de publicidade ambulatória, e também há anos que existem em Portugal.
4. Autocolantes e Posters

Ainda relacionado com os Salões e/ou Festivais, há quem coleccione os respectivos autocolantes (espero que o espaço dê para reproduzir o do Salão de Barcelona), e os posters alusivos a esses eventos. Quer uns quer outros são, na sua maioria, peças de grande nível imaginativo e estético.
Felizmente para nós, autor destas linhas, nunca nos deu para também os coleccionar. As colecções de revistas - portuguesas e estrangeiras -, e álbuns, já chegam e sobram para atafulhar a casa...
5. Fotos do género "o desenhador e eu"

Quem é que não gostaria de se ver retratado juntamente com o seu actor preferido, ou o jogador (de futebol, ténis, hóquei...) da sua predilecção, ou, no caso dos bedéfilos, com um dos muitos artistas da BD que admira?
Digamos que não somos dos que mais aproveitam essa possibilidade; mas, de vez em quando, as ocasiões proporcionam-se e... clic, já está!
(4)
Desta vez, em Barcelona, foi com o famosíssimo
Hugo Pratt; não diremos que enriquecemos a nossa colecção, porque não a fazemos. Mas, claro, é com muito gosto (e algum orgulho, confessamo-lo), que nos vemos retratados ao lado de uma figura de tamanho prestígio no Mundo da BD.6. Livros de estudo sobre BD

Nesta alínea consideramo-nos importante coleccionador. Temos cerca de três dezenas de livros (incluindo enciclopédias da especialidade) dedicados à BD.
Em Barcelona tivemos ocasião de adquirir mais três livros editados recentemente: COMICSARIAS (por Remesar e Altarriba), uma profunda e extensa obra de estudo sobre a historieta espanhola, editada por PPU - Promociones e Publicaciones Universitarias, de Barcelona (edição de 1987); TINTIN, HERGÉ Y LOS DEMÁS (por Juan E. d'Ors), lançado este ano por Ediciones Libertarias, Madrid; e CUANDO LA INOCENCIA MURIÓ (ensaio sobre a obra de Milton Caniff, TERRY E OS PIRATAS), por Javier Coma, das Ediciones Eseuve, de Madrid (com data de 1988).
Um manancial de informação e de pontos de vista, que proporcionam outro sabor quando se olha para as obras em análise.
***********************************Cremos que ficou bem demonstrada a frase com que iniciámos este artigo.
E, parafraseando os Dupond(t), repetitivos amigos do inesquecível Tintin, eu diria mesmo mais: a Banda Desenhada constitui um tema perigosamente rico em possibilidades de coleccionismo!
(5)


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Nota de rodapé importante
: este meu artigo foi publicado originalmente na revista mensal Coleccionando (nº 10 - 2ª série - Maio/Junho 1988), já desaparecida.
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(1)
O nome completo era Salone Internazionale dei Comics, del Cinema d'Animazione e dell'Illustrazione; ainda existe, mas passou a festival, e passou a denominar-se Festival Internazionale del Fumetto, del Gioco e del'Illustrazione. Note-se a mudança do termo usado internacionalmente "Comic" para o caracteristicamente italiano "fumetto".

(2) Muitos anos após ter escrito o presente artigo, aconteceu, na Livraria/alfarrabista Histórica e Ultramarina, do Sr. José Maria da Costa e Silva, ou Sr. Almarjão, como todas as pessoas o tratavam (falecido há alguns anos), aconteceu, repito, encontrar um lote de nºs. 1 de revistas de banda desenhada (Pisca-Pisca, Titã, Foguetão, Falcão, etc.), o que denunciava ter havido alguém que possuía esses exemplares separados, em forma de colecção!

(3) O panorama dos eventos europeus já mudou, é favor não esquecer que este artigo foi escrito em 1988


(4) Infelizmente não me recordo de quem fez aquela foto, pois seria justo registar o seu nome.

(5) Já não cabia, e teve de ser cortado, juntamente com imagens, um outro tema de coleccionismo, os postais com imagens de personagens da BD (por acaso a minha colecção é mais restritiva, apenas me interesso por postais com bandas desenhadas completas, autoconclusivas (numa só prancha, já se sabe), ou, no mínimo, reprodução de prancha pertencente a qualquer bd, tema para o qual já criei uma "categoria" (ver na "home page").

sexta-feira, junho 18, 2010

Banda Desenhada portuguesa em jornais (CXIX) Jornal Avenida Marginal - Autor: Ricardo Cabrita





A República Portuguesa celebra o centenário, sendo pois natural homenagear-se Manuel de Arriaga, o nosso primeiro presidente (1911 -1915).

Por se tratar de um açoriano, esse facto foi determinante para que Heitor Silva, também nativo dos Açores, decidisse publicar no seu jornal Avenida Marginal uma banda desenhada dedicada àquela personalidade.

O bloguista deste blogue - contactado por Heitor Silva para colaborar com ele na iniciativa - decidiu convidar Ricardo Cabrita, frequente colaborador do seu fanzine Efeméride, e este, com a habitual disponibilidade para a BD, mesmo quando sobrecarregado na actividade profissional enquanto arquitecto, de imediato se colocou à disposição do projecto, começando por investigar a biografia de Manuel de Arriaga Brum da Silveira e Peyrelongue (1840-1917) e passando os elementos biográficos obtidos para o formato BD.

É precisamente essa banda desenhada, com o título "Manuel de Arriaga na Hora da Renúncia", título que por lapso na montagem não aparece na página, cuja reproduzo no topo do "post", extraída, com a devida vénia, das páginas do Avenida Marginal (Ano 3 - nº6 - 30 Abril 2010), bem como a fotografia de Manuel de Arriaga, divulgada no mesmo jornal pela Junta de Freguesia de Matriz, donde ele era natural.

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Para se verem os nomes dos autores que foram focados nesta etiqueta, nas 117 postagens já efectuadas, em baixo fica a respectiva lista:

(CXVIII)- Abril 29 - Autores: Rui Lacas, João Maio Pinto, Luís Leal Miranda
(CXVII) - Fev. 10 - Autor: Bruno Rafael

2010 (daqui para cima)

(CXVI) - Dez. 20 - Autor: Nuno Saraiva
(CXV) - Out. 22 - Autor: Richard Câmara
(CXIV) - Set. 25 - Autores: Jorge Coelho, Patrícia Furtado, Ricardo Venâncio, Nuno Duarte (arg.)
(CXIII) - Jun. 17 - Autor: Pilar
(CXII) - Abr. 19 - Autor: Nuno Saraiva
(CXI) - Março 6 - Autor: Nuno Saraiva

Nota: Os autores abaixo indicados colaboraram no jornal MU (Mundo Universitário) mas não tinham ficado aqui registados nas respectivas datas, em anos anteriores
Jun. 17 - A.Pilar
Abril 19 - Nuno Saraiva
Março 6 - Nuno Saraiva
Jan. 27 - Pedro Alves J. Mascarenhas Ricardo Cabral Algarvio Mota Zé Manel JCoelho Pepedelrey Carlos Marques e Sílvia Matos e Lemos Kalika (sob poema de Herberto Helder) Carlos Rocha José Lopes Francisco Sousa Lobo

(CX) - Jan. 27 - "post" com as bedês dos autores acima indicados, que foram publicadas no "Mundo Universitário" em 2004, início da minha coordenação da rubrica BD naquele jornal
2009 (daqui para cima)

Dez. 26 Ricardo Cabral
Out. 21 - Joana Sobrinho
" 14 - Nuno Duarte ("Outro Nuno")
" 8 - Diogo Carvalho e Phermad
Set. 23 - Jorge Mateus
" 16 - Paulo Marques
Ag. 15 - Derradé (3 tiras de BD), Álvaro (2 tiras), Pedro Alves (2 tiras)
" 17 - Nuno Sarabando (d) e Hugo Jesus (a)
" 12 - Miguel Marreiros (d) e André Oliveira (a)
" 10 - Derradé
" 4 - Marte
Maio 21 - Pedro Zamith
" 20 - Algarvio
" 12 - Pedro Alves
" 7 - Agonia Sampaio e André Amaral
Abril 29 -Pedro Massano
" 22 - Marco Mendes
" 15 - Luís Afonso
" 5 - A. Pilar
Março 28 - Luís Louro
" 10 - João Lam
" 8 - José Abrantes
Fev. 25 - GEvan
" 18 - Pedro Bürin (d.), Mário Freitas (a.)
" 11 - Mariana Perry (d.), André Oliveira (a.)
Jan. 28 - Antero Valério
" 27 - Rodrigo
" 21 - Hugo Teixeira
2008 (lista acima)

Dez. 23 - Sko Nihil Vo (desenho), Hugo Sousa (cor)
" 16 - Pepedelrey
" 8 - Relvas
" 1 - Phermad
Nov. 25 - Nuno Saraiva
" 23 - Algarvio (Alexandre Algarvio)
" 18 - José Pedro Costa e Arlindo Fagundes
" 11 - Derradé
Out. 31 - Agonia Sampaio
" 25 - Manaças (Pedro Manaças)
" 16 - Álvaro
" 12 - Pedro Alves
" 10 - Lam (João Lam)
" 3 - Autores: Ricardo Reis (d), Cristiano Baptista (cor), André Oliveira (arg.)
Set. 25 - Antero Valério
" 13 - Joba e ML
Jul. 12 - Luca
Junho 4 - Esgar Acelerado
Maio 31 - Algarvio
" 28 - Ricardo Cabral
" 14 - José Carlos Fernandes
" 12 - Filipe Andrade (desenho), Filipe Pina (argumento)
" 1 - Vasco Gargalo
Abril 24 - Zé Manel
" 18 - Arlindo Fagundes (arg. e desenho), José Pedro Costa (cor) Março 30 - Pedro Nogueira
" 23 - José Lopes
" 16 - Zé Paulo
" 7 - Lam
" 1 - Ricardo Correia (des.), André Oliveira (arg.), Ana Maria Baptista (colorido)
Fev.12 - Pedro Zamith
" 7 - Nazaré Álvares
" 7 - Marco Mendes
Jan. 23 - Ângela Gouveia
" 16 - Filipe Goulão
2007 - (lista acima)

Dez.6-A.Rechena
Nov.28-José Lopes
" 21-Pedro Alves
" 14-Nuno Saraiva
" 8-Pedro Morais
Out.31-Ricardo Ferrand
" 24-Algarvio
" 17-Ricardo Cabral
" 11-Álvaro
" 5-Pedro Massano
Set.27-Derradé
" 24-Nuno Saraiva
Ainda em 2006, mas após as "férias grandes" (entre 8Jun. e 24Set, lapso de tempo em que o MU não foi editado), a lista de colaboradores vê-se daqui para cima

Jun.8-Estrompa
Maio 31-António Valjean
" 24-Pedro Nogueira
" 20-Zé Manel
" 16-Ricardo Cabral e Jorge Cabral
" 12-Pepedelrey
" 4-J.Mascarenhas
Abril 5-Cheila
Março-29 -Pedro Morais
" 20-Joana Figueiredo
" 15-Pedro Nogueira
Fev.14-A.Rechena
" 8-Derradé
Jan.19-Pedro Alves
2006 (lista daqui para cima)
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Para ver os 117 textos anteriores basta clicar sobre a etiqueta "Banda Desenhada portuguesa nos jornais" inserida no rodapé

quarta-feira, junho 16, 2010

Acordo Ortográfico na Banda Desenhada e afins (V) Tiras de BD dedicadas à Selecção Portuguesa de Futebol



A Selecção/Seleção Portuguesa de Futebol é a favorita "a não chegar a lado nenhum", conclusão explícita no balão da última vinheta da primeira tira de banda desenhada (a contar de cima, claro) que ilustra o presente "post".

Aliás, o futebol em geral, e em particular a selecção lusa, são os alvos preferenciais destas tiras de BD, com a singularidade de, na respectiva legendagem, serem usadas as regras do novo Acordo Ortográfico.

Já anteriormente mostrei, aqui no blogue, outras tiras semelhantes, reproduzidas do mesmo diário desportivo Record, um dos poucos órgãos de comunicação social que, por agora, aderiram ao dito cujo A.O., mas que em breve (deve ser já a partir do próximo número) irá ter a companhia do conspícuo e cultural quinzenário JL-Jornal de Letras, Artes e Ideias, onde escreve sobre Banda Desenhada o meu amigo João Ramalho Santos, que, assim, irá ser o primeiro crítico de BD a escrever sob as novas regras ortográficas.
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Estas satíricas e divertidas tiras "futebolísticas" de BD são da autoria da empresa de conteúdos "Dar o Litro", e foram publicadas no jornal Record, nas seguintes datas (nas tiras a contar de cima): 19 Maio 2010, 7 Junho, 9 Junho, 25 Maio
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Quem estiver interessado em ver as postagens anteriores, poderá fazê-lo clicando no rodapé, no item "Acordo Ortográfico na Banda Desenhada"

domingo, junho 13, 2010

Fernando Pessoa na Banda Desenhada... e não só (XIV) - Imagens múltiplas desenhadas por Rui [Pimentel]





Num já longínquo 13 de Junho nascia Fernando Pessoa em Lisboa. Estava-se em 1888, perfazem-se hoje 122 anos. Nesse dia - e naquele quarto andar esquerdo do nº 4 do Largo de S. Carlos - estava o ponto de partida humano para alguém que viveria essencialmente para a poesia - sim, também para a prosa, mas menos - e que espantaria os vindouros com a pulverização da sua personalidade em múltiplas, cada uma delas adoptando um heterónimo e diferente estilo literário do ortónimo.

Rui Pimentel - cartunista, caricaturista e autor de BD, além de arquitecto - colaborou, nas duas primeiras facetas mencionadas, no semanário O Jornal e no Jornal Ilustrado, em seguida na revista Visão, perfazendo nestas duas publicações cerca de vinte anos, assinando simplesmente Rui.

As Edições O Jornal fizeram em 1989 uma recolha em livro, intitulado Desenhos de Escárnio e Mal-Dizer, totalmente dedicado a caricaturas da autoria de Rui, de onde retirei (com a anuência do meu amigo autor) a notável composição caricatural dedicada a Fernando Pessoa, que vai mencionando alguns dos seus heterónimos, designadamente Horace James Faber, Álvaro de Campos, Thomas Crosse, Barão de Teive, Abílio Quaresma, Ricardo Reis, Alberto Caeiro, João Craveiro, Jean-Seul de Méluret, Bernardo Soares, Alexander Search, Raphael Baldaya, Vicente Guedes, António Mora...
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A ilustrar o poste estão, de cima para baixo, as imagens:
1 - A composição da autoria de Rui
2 - Retrato de Fernando Pessoa
3 - Largo de S. Carlos, vendo-se à esquerda, parcialmente, o prédio onde nasceu Fernando Pessoa
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Em baixo ficam visíveis os nomes dos desenhadores (autores de BD. ilustradores e 
cartunistas/caricaturistas) com imagens dedicadas ao poeta em postagens anteriores

(XIII) Jun.20 - Autor: Luís Manuel Gaspar
(XII) Maio 08 - Autor: Rui Pimentel
(XI) Abr. 22 - Autor: Mariana Capela
2009 - Daqui para cima

(X) Nov. 27 - Autores: [Luís] Alvoeiro e C. Martins
(IX) Novembro 22 - Autor: Jorge Colombo
(VIII) Agosto 08 - Autores: Miguel Moreira e Catarina Verdier
(VII) Julho 27 - Autor: Derradé
(VI) Julho 20 - Autores: Nuno Frias, Ricardo Reis, João Vasco Leal, Cristiano Baptista, André Oliveira
(V) Julho 12 - Autora: Ana Filomena Pacheco
(IV) Julho 6 - Autor: Laerte
(III) Junho 22 - Autor: João Chambel
(II) " 18 - Autor: Rafa Infantes
(I) " 13 - Autor: José Abrantes
2008 - Daqui para cima
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Para ver de imediato todas as postagens anteriores basta clicar na etiqueta Fernando Pessoa na Banda Desenhada indicada no rodapé

quarta-feira, junho 09, 2010

Festivais, Salões BD e afins - (Beja) Entrevista com Paulo Monteiro acerca do 6º Festival BD de Beja






Aproxima-se o último fim-de-semana do 6º Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja. Nas anteriores edições - em anos de menos vacas magras... -, estes derradeiros dias costumavam ainda apresentar motivos atraentes que justificavam um retorno ao Alentejo das dezenas de lisboetas (os mais numerosos forasteiros) e uns tantos bedéfilos que lá estiveram de outras zonas do país, nomeadamente Senhora da Hora, Vila Nova de Gaia, Matosinhos, Porto, Coimbra, Óbidos, Caldas da Rainha, Leiria, Almada, Faro, embora estranhamente não tenha estado ninguém da Amadora (leia-se: nenhum responsável do respectivo Festival BD...)
Porém, sabendo da diminuição dos apoios ao bonito, animado e bem organizado evento bejense, ocorreu-me fazer uma curta entrevista com Paulo Monteiro, criador do festival e seu principal dinamizador, a fim de poder esclarecer algumas interrogações que têm surgido em conversas entre gente da BD que lá esteve, além de divulgar neste blogue quais os pontos de interesse para os apreciadores de BD que se queiram ainda deslocar a Beja.
Eis as perguntas e respectivas respostas:


 

 
GL - Paulo Monteiro: na inauguração deste Festival BD de Beja - ou seja, no primeiro fim de semana, dias 29 e 30 de Maio - estiveram presentes vários autores estrangeiros, desde o consagrado belga Hermann até alguns novos valores, casos do britânico Rufus Dayglo, do francês Hippolyte, dos gémeos brasileiros Fábio Moon e Gabriel Bá, do canadiano Niko Henrichon, do esloveno Jakob Klemencic...
Podes explicar os motivos que te levaram a concentrar todos os autores no início, e não haver nenhum convidado estrangeiro posteriormente?


Paulo Monteiro - Sim, e além desses, o italiano Fábio Civitelli, a norte-americana Dame Darcy, o croata Igor Hofbauer (e todos os autores portugueses representados nas exposições - cerca de 70 autores, no total)...
Para nós é muito importante que os autores possam estar presentes no dia da inauguração. Para nós é a inauguração do Festival, mas para os autores é a inauguração da sua própria exposição. Por uma questão de cortesia tentamos sempre que estejam presentes. Além disso, o facto de estarem reunidos na inauguração permite-nos potenciar a sua presença, criando um fim-de-semana verdadeiramente alucinante, com várias coisas a acontecer ao mesmo tempo (como aconteceu este ano), no meio de um ambiente descontraído que permita grande interacção com os visitantes. O facto de termos entre nós todos estes autores no primeiro fim-de-semana também nos permite chamar muitas centenas de pessoas a Beja (para além dos visitantes da cidade e da região) conferindo outra dinâmica ao evento. É apenas um fim-de-semana, mas a verdade é que grande parte dos festivais europeus dura 4 dias.
Após o primeiro fim-de-semana apostamos numa programação diária mais contida, virada essencialmente para o público local. Não é que não gostássemos de fazer de todos os dias do Festival uma enorme festa, mas a verdade é que Beja é uma pequena cidade, muito afastada dos grandes centros urbanos (Lisboa e Sevilha são as grandes cidades mais próximas).
Dificilmente as pessoas voltam a Beja depois de terem passado por cá no primeiro fim-de-semana. Só se a programação fosse tão fabulosa que se tornasse imperdível.
Ora nós trabalhamos no limite do nosso orçamento e das nossas forças. O núcleo duro do Festival sou eu, o Nuno Sousa e a Susa Monteiro - claro que contamos com o apoio dos nossos colegas da Câmara Municipal - do Parque de Materiais, do Serviço de Aprovisionamento, Gabinete de Informação e Relações Públicas, Tesouraria, etc., etc. (e com a colaboração de muitos amigos). Mas em termos de organização é uma equipa pequena, o que torna complicado fazer as coisas de outra maneira. Esta parece-nos a mais acertada e aquela que melhor funcionou. O primeiro fim-de-semana é, na verdade, fantástico! Nos dias restantes podem visitar-se as 21 exposições que compõem o Festival com outra calma e assistir à programação diária com outro ritmo. O que faz sentido, quando olhamos para as especificidades da própria região. As 5 edições do Festival mostraram-nos que este era o melhor caminho a seguir - e parece-nos o mais acertado. É complicado fazer um grande esforço financeiro no segundo ou no terceiro fim-de-semana para agregar à volta de uma iniciativa 100 ou 200 pessoas. Parece-nos mais lógico fazer isso logo no início. É melhor para o público (que não tem um minuto de aborrecimento) e melhor para os autores, que fazem destes dois dias uma verdadeira festa da banda desenhada (alguns dos autores estrangeiros chegaram a dizer-nos que nunca tinham estado num Festival com este ambiente e com esta dinâmica - ficámos muito felizes, claro). Por isso continuaremos a apostar nestes primeiros dias, juntando muitas centenas de pessoas.


GL - Hermann é um autor consagrado da BD europeia, indubitavelmente. Mas qual o critério que usaste para o escolheres para convidado do Festival, e não Moebius, ou Bilal, por exemplo?

 
Paulo Monteiro - É difícil estabelecer um critério, perante os nomes que apontas (poderiam estar muitos outros autores neste grupo), já tínhamos iniciado alguns contactos no sentido de convidar o Bilal e o Moebius a estarem presentes em Beja. O Hermann respondeu prontamente e ficámos muito felizes com a sua presença. Além disso é necessário não esquecer que é um autor com uma enorme dinâmica (continua a publicar com uma regularidade invejável) e tem uma verdadeira legião de fãs em Portugal (à qual não é alheia a divulgação do seu belo trabalho na revista Tintin, desde o final dos anos 60 até aos anos 80). O Hermann faz parte do imaginário de várias gerações e continua a criar novos leitores. Pensámos que seria interessante trazê-lo até Beja e proporcionar esse convívio com todos aqueles que apreciam a sua obra. Foi muito interessante, pois alguns leitores trouxeram as suas edições mais preciosas (algumas da extinta Íbis) para o Hermann autografar. Outros - principalmente os mais novos - compraram os seus livros pela primeira vez. É um verdadeiro "histórico" da banda desenhada europeia. Quanto ao Bilal, ao Moebius (e ao Manara, ao Frank Miller, etc.), quem sabe se no próximo ano ou nos seguintes não os teremos entre nós? Seria fantástico!

GL - Para dar uma ideia do festival a quem não pôde lá ir este ano, gostaria que após citares os títulos das exposições que o integram, esmiuçasses os motivos que te levaram a escolhê-las, que descrevesses algumas das pranchas originais que nelas se destacam, e falasses dos respectivos autores.

Paulo Monteiro - O Festival tem 21 exposições patentes ao público. Tentámos, como fazemos sempre, dar uma visão o mais abrangente possível da banda desenhada contemporânea nacional e internacional, trazendo a Beja autores que estão nos antípodas uns dos outros. O que terão em comum autores tão díspares como Fabio Civitelli (o autor do cowboy Tex) e Igor Hofbauer, com as suas pranchas intimistas? Tudo e ao mesmo tempo pouca coisa. Mas é isso que nos interessa: mostrar um bocadinho de tudo, independentemente de escolas, estilos ou até das "mensagens subliminares" de cada autor. Queremos fazer, antes de tudo, um Festival de autores. De todos os autores. Dai o facto de se encontrar uma variedade tão grande de propostas. E quando falo do Festival como um Festival de todos os autores é sempre nessa perspectiva: juntar autores consagrados com autores emergentes, sem fazer juizos de valor, sem separar águas... Não queremos ser um Festival "comercial" nem um Festival "alternativo", nem um Festival de "nomes incontornáveis" ou de "jovens promessas", mas sim um Festival de banda desenhada com tudo aquilo que ela tem em si de distinto. Essa heterogeneidade é, afinal, uma das suas maiores riquezas. Não faria sentido de outra forma. É claro que nos interessa ter grandes nomes da banda desenhada mundial entre nós. Mas isso não faria sentido se não mostrássemos os autores que estão agora a começar o seu percurso na difícil arte de contar histórias em imagens. É por isso que as escolhas que fazemos nunca são pessoais. Tentamos fazer uma escolha interessante dentro das diversas áreas, dando uma visão ecléctica da produção contemporânea: quem gosta apenas de mangá, fica a saber que existem muitíssimas outras propostas para lá da mangá. Quem aprecia os chamados "alternativos" pode eventualmente deparar-se com belas surpresas descobrindo outros autores. Interessa-nos que os estilos se contaminem, que se completem... Para o público menos informado, é uma oferta fantástica, que lhe dá a perfeita noção de que o universo da banda desenhada não se esgota em duas ou três referências. Temos conquistado alguns leitores com esta estratégia, o que nos parece fundamental. É urgente conquistar leitores. Isso só se consegue dando a ver tudo. Para que se possam fazer escolhas...

GL - Apresenta-me uma motivação suficientemente forte para convencer alguns dos visitantes do meu blogue a irem a Beja à ponta final (12 e 13 de Junho) desse Festival BD.

Paulo Monteiro - Podemos apresentar não uma, mas 21 motivações, que é o exacto número das exposições que estão patentes ao público. Muito diferentes umas das outras, cada qual a merecer uma visita demorada. E depois temos o Mercado do Livro (este ano já vendemos muitas centenas de títulos), o maior que realizámos até agora. Tem um pouco de tudo: desde as histórias monográficas acerca de várias cidades de Portugal (em banda desenhada, claro), até aos mais arrojados e "alternativos" artistas europeus. No que concerne à programação paralela, chamava a atenção para a passagem do filme "Twilight Zone", sexta-feira, à meia-noite, na Bedeteca, com apresentação (sempre fabulosa) de José Carlos Oliveira, e para o concerto que terá lugar na Galeria do Desassossego, no Sábado, onde se recriam vários ambientes ligados à Banda Desenhada. No Domingo faremos a Festa de encerramento, onde serão todos bem-vindos, e onde terão lugar várias surpresas (leilão de revistas e fanzines, sorteios, muita conversa, etc.). Hoje terá lugar a conferência/conversa sobre a relação entre o jazz e a banda desenhada, com muitas imagens à mistura, na Bedeteca, a partir das 21h30... Sei que gostarias de estar por cá (além disso vamos falar no teu fanzine Jazzbanda). Mas isso, para dar um mero exemplo, ia obrigar-te a fazer cerca de 400 quilómetros (ida e volta). Mais um motivo para a tal aposta no primeiro fim-de-semana... É bem certo que não descuramos os visitantes da cidade e da região. Mas um evento como este tem de ser pensado à escala nacional. É um dos nossos maiores desafios... Este ano correu muito bem. Para o ano repetiremos a fórmula, mas com outros atractivos, claro...
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Nota do bloguista
As três imagens no topo do "post" representam publicações editadas propositadamente para este festival.
Trata-se de duas revistas, Splaft! e Venham +5, e o mini-álbum Colecção Toupeira. Nestes mini-álbuns foram publicados, até agora, os seguintes autores: Véte (nº1, em 2005), Lam (nº2, 2006), Pedro Rocha Nogueira (nº3, 2007), Susa Monteiro (nº 4, 2008), Carlos Rocha (nº5, 2009) e agora Maria João Careto, desenho, e André Oliveira, argumento (nº6, 2010).
As três publicações têm coordenação de Paulo Monteiro, e a edição apresenta chancela dupla: Câmara Municipal de Beja - Bedeteca de Beja. Por esse facto, dificilmente poderão ser adquiridas fora da Feira do Livro inserida no festival.
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Vários festivais, salões e eventos afins foram anteriormente divulgados neste blogue. Para ter um panorama do que neles tem acontecido, ou qualquer outra finalidade, convirá visitar as respectivas postagens, que podem ser vistas com um simples clique na etiqueta inserida em rodapé

quarta-feira, junho 02, 2010

Autógrafos desenhados (XIII) - Rufus, Hippolyte, Fábio, Gabriel, Niko Henrichon, Jakob Klemencic, Hermann









Beja pode orgulhar-se de lá se realizar anualmente um festival de BD bem organizado (parabéns Paulo Monteiro e Susa Monteiro!), com múltiplos motivos de interesse, e onde o contacto com os autores convidados, portugueses e estrangeiros, acontece com invulgar informalidade. 

E porquê? 

Porque jantamos todos no mesmo restaurante, vamos quase todos beber um copo à Galeria do Desassossego... 

Há pequenas e, para mim, saborosas escapadelas como, por exemplo, ir jogar snooker com o consagrado Hermann, sendo os restantes parceiros Rui Brito (Edições Polvo), Regina Pessoa e Abi Feijó.

Bem, os dois últimos, não pertencem propriamente ao universo da BD, todavia são nomes sonantes do Cinema de Animação, mas também com passagem, embora fugaz, pela BD. 

Com efeito, Abi Feijó foi um dos editores do fanzine Belo Zebu, e Regina Pessoa surgiu o ano passado como autora do álbum RubyDum & TawnyDee in Nieportland).


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RUFUS DAYGLO (britânico)


HIPPOLYTE (francês)


FÁBIO MOON (brasileiro)


GABRIEL BÁ (brasileiro)


NIKO HENRICHON (canadiano)


JAKOB KLEMENCIC (esloveno)


HERMANN (belga)



Nestes múltiplos contactos surgem, muito naturalmente, ocasiões para solicitar desenhos e autógrafos aos autores com quem vamos conversando. 

Assim aconteceu entre mim e vários - o britânico Rufus Dayglo, o francês Hippolyte, os gémeos brasileiros Fábio Moon & Gabriel Bá, o canadiano Niko Henrichon, o esloveno Jakob Klemencic, e o belga Hermann, grande referência da banda desenhada europeia 

(Nota: os desenhos estão postados por esta ordem, de cima para baixo).

É deles que apresento no presente "post" os respectivos "autógrafos desenhados", como classifico estes improvisos gráficos, valorizados com pequenas mas simpáticas dedicatórias.

São sete ilustrações de sete autores (*), uma óptima colheita!

(*) Sete em seis folhas, porque os gémeos paulistanos desenharam no mesmo papel, como seria de esperar, mas de qualquer forma são dois desenhos de dois autores diferentes.
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Deste mesmo tema há vários textos anteriores, relacionados com desenhos e autógrafos dos autores indicados na lista abaixo indicada. 
Para quem quiser ver os respectivos desenhos, bastar-lhes-á clicar na etiqueta "Autógrafos Desenhados" mostrada no rodapé deste "post".
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(XII) Abr. 9 - Juan Cavia
(XI) Fev. 26 - Solano López
2010 - daqui para cima

(X) Dez. 9 - Neal Adams
(IX) Jun. 10 - Gary Erskine
2009 - daqui para cima

(VIII) Set. 26 - Enrique Breccia
(VII) Agosto 3 - Carlos Roque
(VI) Maio 19 - John Buscema
(V) Abril 13 - Mordillo
(IV) Março 25 - Moebius
(III) Fev. 11 - Quino
(II) Jan. 12 - Milo Manara
2006 - daqui para cima

(I) Dez. 26 - Aragonés
2005 - daqui para cima

terça-feira, junho 01, 2010

Tertúlia BD de Lisboa - Ano XXV - 311º Encontro

TERTÚLIA BD DE LISBOA
ANO XXV
311º ENCONTRO
1 JUNHO 2010
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ENCONTRO ESPECIAL
do
25º ANIVERSÁRIO
da
TERTÚLIA BD DE LISBOA
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Neste mês, para comemorar o aniversário
da Associação Informal Tertúlia BD de Lisboa
há o Encontro Especial, chamado "encontro vadio"
por se efectuar sempre em restaurante diferente do habitual no resto do ano (*)

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Como é da tradição, no encontro de aniversário da tertúlia
não há Homenageado nem Convidado Especial.
Corta-se assim no programa, a habitual 3ª parte da TBDL, que consta do seu
momento-chave, a auto-apresentação do autor convidado,
seguida de questões colocadas pelos "tertulianos".
Mantêm-se as duas partes iniciais:

1 - Jantar; 2 - Sorteio interactivo de peças de banda desenhada
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Graças às potencialidades da blogosfera, é possível inserir na presente postagem, "a posteriori", os nomes dos participantes neste encontro aniversariante.
Ei-los (63) por ordem alfabética:
1.Adelina Menaia; 2. Álvaro; 3. Amorim; 4. Ana Maria Baptista; 5. Ana Saúde; 6. André Oliveira; 7. António Isidro; 8. Bruno Martins; 9. Carlos Páscoa; 10. Clara Botelho; 11. David Ribeiro; 12. Elisa Canário; 13. Falcato; 14. Fernando Andrade; 15. Gastão Travado; 16. Geraldes Lino; 17. Helder Jotta; 18. Hugo Teixeira; 19. Inês Mendes; 20. Inês Ramos; 21. Isabel Viçoso; 22. João Antunes; 23. João Figueiredo; 24. João Paulo Batista; 25. João Vasco Leal; 26. Jorge Coelho; 27. José Abrantes; 28. Leonor Iglésias; 29. Luís Graça; 30. Luís Salvado; 31. Machado-Dias; 32. Manuel Canário; 33. Manuel Valente; 34. Marc Figueiredo; 35. Mariana Perry; 36. Miguel Gabriel; 37. Miguel Marreiros; 38. Milhano; 39. Moreno; 40. Nelson Martins; 41. Nuno Amado "Bongop"; 42. Nuno Duarte (o desenhador, não o argumentista); 43. Nuno Leal "Untxura"; 44. Paula Carichas; 45. Paulo Marques; 46. Pedro Bouça; 47. Pedro Mota; 48. Petra; 49. Ricardo Correia; 50. Ricardo Leite; 51. Ricardo Reis; 52. Rui Domingues; 53. Rui Moura; 54. Sandra Rosa; 55. Simões dos Santos; 56. Sofia Mota; 57. Sónia Carmo; 58. Teresa Cardia; 59. Tiago Pimentel; 60. Victor Jesus; 61. Vidazinha; 62. Virgínia Soares; 63. Zé Manel.

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(*) Nos encontros "vadios" anteriores, iniciados apenas em 1992, a tertúlia efectuou-se nos seguintes restaurantes de Lisboa:

Quebra-Bilhas (1992 e 1993) (era no Campo Grande, fechou o ano passado)
Tatu (1994)
João do Grão (1995)
Real Fábrica (1996)
Sesimbrense - Feira Popular (1997) (já fechou)
República (1998) (já fechou)
O Trigueirinho (1999)
Dois Mil (2000) (já fechou)
Ti Lurdes (2001)
A Valenciana (2002)
O da Manecas - Parque Mayer (2003) (já fechou)
O Manel - Parque Mayer (2004) (já fechou)
Fragata - no rio Tejo, doca de Santos (2005)
5 Chaves (2006)
A Berlenga (2007)
Moinho Vermelho (2008)
Rodízio Grill - no Campo Pequeno (2009)
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Para se verem as numerosas postagens anteriores relacionadas com este tema, basta clicar no item Tertúlia BD de Lisboa, inscrito no rodapé